Pesquisadora admite falhas em estudo da polilaminina e promete nova versão
Tatiana Sampaio reconhece erro em gráfico e problemas de escrita, mas mantém defesa da eficácia da substância
A pesquisadora Tatiana Sampaio afirmou que fará correções no artigo científico que apresenta a polilaminina como possível tratamento para lesões na medula espinhal. Em entrevista ao portal g1, ela reconheceu falhas na redação do estudo e um erro em um dos gráficos divulgados, mas disse que os dados e as conclusões da pesquisa serão mantidos na nova versão do trabalho.
O estudo, divulgado inicialmente como pré-print — versão preliminar de um artigo científico ainda sem revisão por pares — reúne resultados de duas décadas de pesquisas conduzidas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A investigação avalia o uso da polilaminina, uma proteína derivada da laminina, como possível estímulo à regeneração de conexões nervosas em pacientes com lesão medular.
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Segundo Sampaio, a revisão do artigo inclui ajustes técnicos na apresentação dos dados, correção de erros em figuras e mudanças na forma de explicar os resultados. A pesquisadora afirmou que a principal alteração será na redação do texto, que, segundo ela, “não estava bem escrito” na versão inicial divulgada publicamente.
Entre os problemas apontados está um erro em um gráfico que indicava melhora clínica de um paciente cerca de 400 dias após o procedimento, embora o próprio artigo registrasse que ele havia morrido poucos dias depois da intervenção. A pesquisadora afirmou que houve um erro de identificação na figura e que os dados pertenciam, na verdade, a outro participante do estudo.
Outro ponto que será modificado envolve a apresentação de exames de eletromiografia utilizados para indicar possível regeneração nervosa em alguns pacientes. A pesquisadora afirmou que uma das imagens utilizadas no artigo mostrava dados brutos e será substituída por uma versão revisada.
Apesar das correções anunciadas, Sampaio sustenta que os resultados da pesquisa indicam eficácia da substância. Segundo ela, uma nova análise que separa os pacientes por tipo de lesão reforçaria essa hipótese, especialmente em casos de lesões torácicas, nos quais teria havido melhora clínica superior à taxa de recuperação espontânea descrita na literatura médica.
A pesquisa ganhou repercussão nacional após relatos de pacientes que voltaram a andar após participar do estudo, como Bruno Drummond. A divulgação também despertou críticas de especialistas, que apontaram inconsistências na apresentação dos dados e questionaram a ausência de grupo controle no ensaio.
De acordo com pesquisadores da área, como representantes da Academia Brasileira de Neurologia, sem a comparação com pacientes que não receberam a substância não é possível determinar se as melhoras observadas foram causadas pela polilaminina ou por tratamentos associados, como cirurgia e fisioterapia intensiva.
O estudo também recebeu investimento de cerca de R$ 100 milhões do laboratório Cristália para o desenvolvimento da substância como medicamento.
Apesar da repercussão pública, a polilaminina ainda não passou pelas etapas formais de validação clínica exigidas para novos tratamentos. Ensaios clínicos regulatórios em humanos, autorizados pela Anvisa, ainda não foram iniciados e dependem de aprovação ética.
A pesquisadora afirmou que trabalha em uma nova versão do artigo e pretende submetê-la novamente a revistas científicas para publicação.
Fonte: Com informações do G1