Estudo mostra que gestão dos chamados enfermagem pode reduzir a sobrecarga
Nesse contexto, a organização dos chamados para equipe de enfermagem vem ganhando relevância nas discussões sobre eficiência hospitalar e qualidade das condições de trabalho
A rotina hospitalar exige atenção constante, capacidade de resposta e coordenação entre diferentes profissionais. Em meio a procedimentos, registros clínicos e solicitações simultâneas, pequenas falhas de comunicação podem gerar deslocamentos desnecessários, retrabalho e interrupções frequentes. Ao longo de um plantão, esses obstáculos aumentam a pressão sobre a equipe e podem contribuir para o desgaste físico e mental dos trabalhadores.
Nesse contexto, a organização dos chamados para equipe de enfermagem vem ganhando relevância nas discussões sobre eficiência hospitalar e qualidade das condições de trabalho. A tecnologia não elimina problemas relacionados ao dimensionamento de pessoal ou à intensidade das jornadas, mas pode ajudar a organizar as solicitações e reduzir tarefas evitáveis.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
Essa é a abordagem apresentada pela Platel, empresa especializada em equipamentos hospitalares, no artigo “Como aumentar a produtividade e evitar a sobrecarga da equipe de enfermagem”. O material explica como sistemas de chamada, centrais de posto e recursos de identificação do atendimento em andamento podem melhorar a comunicação entre pacientes e profissionais.
A análise ganha importância diante dos desafios enfrentados pela enfermagem em diferentes países. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a força de trabalho global de enfermagem passou de 27,9 milhões de profissionais em 2018 para 29,8 milhões em 2023.
Apesar desse crescimento, a organização estima que ainda havia um déficit mundial de 5,8 milhões de enfermeiros em 2023. O relatório também destaca a importância de melhorar as condições de trabalho e ampliar o suporte à saúde mental dos profissionais.
A sobrecarga vai além do número de profissionais
A quantidade de pacientes atendidos, a duração dos plantões e o dimensionamento das equipes estão entre os fatores que influenciam a carga de trabalho da enfermagem. Entretanto, a organização dos processos também interfere na maneira como os profissionais utilizam seu tempo.
Quando um paciente aciona uma campainha sem identificação clara do local, por exemplo, a equipe pode precisar confirmar a origem da solicitação antes de iniciar o atendimento. Se outro profissional já estiver a caminho, a falta de informação compartilhada pode provocar deslocamentos duplicados.
O mesmo acontece quando as informações dependem exclusivamente de avisos verbais ou quando não existe uma forma clara de identificar que determinado chamado já está sendo atendido.
Essas situações, isoladamente, podem parecer pequenas. Repetidas ao longo do plantão, porém, aumentam a fragmentação das atividades e dificultam a organização das prioridades.
Um estudo brasileiro publicado na revista Texto & Contexto Enfermagem analisou 739 atividades realizadas por profissionais em duas unidades de terapia intensiva. Durante 99 horas de observação, os pesquisadores identificaram que 46,82% das atividades foram interrompidas, com uma média de 7,85 interrupções por hora. As interrupções comprometeram, em média, 9,42% do tempo de trabalho observado.
O estudo não avaliou especificamente os sistemas de chamada de enfermagem, mas demonstra como as interrupções podem interferir na dinâmica assistencial. A organização dos chamados para equipe de enfermagem é uma das frentes que podem ser consideradas na busca por fluxos de trabalho mais eficientes.
O que a ciência mostra sobre esgotamento profissional?
O burnout é um fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado adequadamente. Na enfermagem, pode estar relacionado à combinação de demandas intensas, condições de trabalho desfavoráveis, sobrecarga emocional e insuficiência de recursos.
Uma pesquisa publicada em 2024 na revista Nursing Outlook investigou a relação entre a sobrecarga de alarmes e o burnout em 2.131 enfermeiros de hospitais dos Estados Unidos.
Os pesquisadores observaram que profissionais que frequentemente ou ocasionalmente se sentiam sobrecarregados por alarmes tinham 2,47 vezes as chances de apresentar níveis elevados de burnout em comparação com aqueles que raramente ou nunca relatavam essa experiência. Também foram encontradas associações entre esgotamento e atrasos na resposta aos alarmes.
É importante fazer uma distinção: o estudo investigou principalmente alarmes de equipamentos clínicos, e não os chamados realizados por pacientes por meio de campainhas de enfermagem. Portanto, seus resultados não demonstram que instalar um sistema de chamada reduz diretamente o burnout. Eles reforçam, contudo, a importância de avaliar como os estímulos e os fluxos de comunicação afetam a rotina dos profissionais.
A prevenção do esgotamento exige uma abordagem ampla, que considere dimensionamento, liderança, jornadas, condições de trabalho e saúde mental. A melhoria dos chamados para equipe de enfermagem pode integrar esse conjunto de medidas ao reduzir algumas fontes de desorganização operacional.
Como a gestão dos chamados pode reduzir o retrabalho?
O artigo da Platel destaca que a comunicação hospitalar precisa permitir que a equipe identifique a origem de cada solicitação e saiba quando um atendimento já está em andamento.
Uma das soluções apresentadas é a central de posto de enfermagem, que concentra as chamadas em um ponto de visualização. Com essa estrutura, os profissionais conseguem identificar de onde vem a solicitação e organizar melhor seus deslocamentos.
Outro recurso é a função presença. Quando o profissional chega ao local do atendimento e aciona o dispositivo correspondente, a sinalização muda de vermelho para verde, indicando aos demais integrantes da equipe que o chamado já está sendo atendido.
Essa informação compartilhada ajuda a evitar que diferentes profissionais se desloquem desnecessariamente para a mesma solicitação.
Como explica Gabriela Iaschitzki Ferreira, gestora da Platel:
“O resultado é uma comunicação mais clara entre os profissionais e menos retrabalho durante a rotina hospitalar.”
A proposta não é substituir a avaliação dos profissionais nem automatizar decisões clínicas. O objetivo é facilitar a circulação das informações para que a equipe consiga direcionar sua atenção às necessidades dos pacientes.
Quais benefícios uma comunicação mais organizada pode trazer?
A organização dos chamados para equipe de enfermagem pode contribuir para diferentes aspectos da rotina hospitalar.
Menos deslocamentos duplicados: a identificação da origem do chamado e a sinalização do atendimento em andamento ajudam a evitar movimentações desnecessárias.
Maior visibilidade das solicitações: a central de posto permite acompanhar os chamados recebidos sem depender exclusivamente de avisos verbais.
Melhor coordenação da equipe: informações compartilhadas facilitam a comunicação entre profissionais que atuam simultaneamente em diferentes áreas.
Redução de tarefas evitáveis: ao diminuir a necessidade de confirmar repetidamente quem solicitou atendimento ou se alguém já está no local, a equipe pode reduzir parte do retrabalho.
Esses benefícios dependem da configuração do sistema, da infraestrutura instalada, do treinamento e da integração com os procedimentos do hospital. A tecnologia precisa ser acompanhada de protocolos claros para que todos saibam como registrar, receber e encerrar as solicitações.
Tecnologia como apoio ao cuidado, não como substituta da equipe
A implementação de um sistema de chamada deve partir de uma análise das necessidades da instituição. É importante considerar o tamanho da unidade, a disposição dos leitos, a quantidade de profissionais, os pontos de atendimento e as formas de comunicação já utilizadas.
Também é necessário verificar se a sinalização é facilmente compreendida, se os equipamentos funcionam de maneira confiável e se a equipe recebeu treinamento adequado.
A Platel destaca que os sistemas de chamada devem atuar como ferramentas de apoio à assistência. Eles não substituem o dimensionamento correto de pessoal, a avaliação clínica ou as decisões dos profissionais de enfermagem.
Essa distinção é fundamental para evitar expectativas exageradas sobre os resultados da tecnologia. A organização dos chamados para equipe de enfermagem pode melhorar processos específicos, mas não resolve sozinha as causas estruturais da sobrecarga.
Por que acompanhar análises especializadas é importante?
Hospitais precisam conciliar qualidade assistencial, segurança do paciente e eficiência operacional. Nesse cenário, acompanhar análises produzidas por empresas que conhecem a infraestrutura hospitalar ajuda gestores e equipes técnicas a identificar oportunidades de melhoria.
O conteúdo da Platel contribui para essa discussão ao mostrar que a comunicação entre pacientes e profissionais também faz parte da organização do trabalho. Uma infraestrutura adequada pode reduzir ruídos, tornar os atendimentos mais visíveis e ajudar a equipe a administrar melhor as solicitações recebidas.
Esse tipo de análise é especialmente relevante para gestores hospitalares, enfermeiros responsáveis por unidades, engenheiros clínicos e profissionais envolvidos em projetos de modernização. A escolha de equipamentos deve considerar não apenas suas funcionalidades, mas também a forma como serão incorporados aos processos existentes.
Uma rotina mais organizada começa pela comunicação
O esgotamento profissional da enfermagem é um desafio multifatorial que exige atenção às condições de trabalho, ao dimensionamento das equipes e à saúde mental. Melhorar a comunicação não elimina essas questões, mas pode contribuir para reduzir obstáculos operacionais que tornam o plantão mais desgastante.
Ao organizar os chamados para equipe de enfermagem, identificar sua origem e sinalizar quando um atendimento já está em andamento, os hospitais podem diminuir deslocamentos desnecessários e melhorar a coordenação entre profissionais.
A análise da Platel reforça a importância de avaliar a comunicação hospitalar como parte da infraestrutura de cuidado. Quando processos e tecnologia trabalham em conjunto, a equipe ganha melhores condições para organizar as demandas e concentrar sua atenção no que é essencial: a assistência ao paciente.
Fonte: Portal AZ