Trump usa desmatamento para justificar tarifa de 25% contra o Brasil

Especialista rebate argumento dos EUA e cita queda do desmatamento em 2025

Por Redação Portal AZ,

A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros tem como uma das justificativas o desmatamento no Brasil. A alegação, porém, é contestada por especialistas, que classificam o argumento como infundado e sustentam que a medida atende a interesses políticos e comerciais, sem respaldo nos indicadores ambientais mais recentes.

Foto: Orlando K Junior/DivulgaçãoDados mostram queda do desmatamento no Brasil em 2025, apesar de críticas dos EUA.
Dados mostram queda do desmatamento no Brasil em 2025, apesar de críticas dos EUA.

A taxação anunciada pelo governo do presidente Donald Trump reacendeu o debate sobre o uso de questões ambientais como instrumento de política comercial. Entre as justificativas apresentadas por Washington está a acusação de que o Brasil não controla adequadamente o desmatamento, argumento rejeitado por pesquisadores da área.

Para o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, a referência ao meio ambiente serve apenas para embasar uma barreira tarifária. Segundo ele, os Estados Unidos abandonaram compromissos internacionais voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa e não adotam medidas equivalentes de proteção ambiental.

Astrini também afirma que outros países com índices elevados de desmatamento não foram alvo de sanções semelhantes, o que, na avaliação dele, enfraquece a justificativa apresentada pelo governo norte-americano. Para o pesquisador, a iniciativa possui caráter essencialmente político e comercial.

O especialista destaca ainda que o Brasil ampliou as ações de combate aos crimes ambientais nos últimos anos, com reforço das operações de fiscalização conduzidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), impulsionadas por recursos do Fundo Amazônia.

Dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas, apontam que o país registrou menos de 1 milhão de hectares de vegetação nativa desmatada em 2025 pela primeira vez desde 2019. Foram 984.794 hectares suprimidos, redução de 20,6% em comparação com o ano anterior.

Apesar da queda nacional, o Cerrado permaneceu como o bioma mais afetado, concentrando cerca de 55% da área desmatada do país, com 540,6 mil hectares. A Amazônia aparece em seguida, com 289,4 mil hectares desmatados e redução de 23,5% frente a 2024. O Pantanal registrou a maior diminuição proporcional, com recuo de 48,4%.

O levantamento também aponta que a expansão da agropecuária continua sendo o principal vetor de perda de vegetação nativa, respondendo por 99% das áreas desmatadas em 2025. Já o garimpo ilegal permaneceu concentrado quase integralmente na Amazônia, especialmente no Pará, enquanto os desmatamentos ligados a empreendimentos de energia renovável ocorreram majoritariamente na Caatinga. A expansão urbana, por sua vez, avançou 7% em relação ao ano anterior, principalmente no Cerrado e na Amazônia.

Fonte: Com informações da Agência Brasil

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