Petróleo atinge maior preço em dois meses com tensão no Oriente Médio
Crises no Oriente Médio e na Ucrânia pressionam a oferta global.
Os preços das cargas físicas de petróleo dispararam nos mercados do Oriente Médio, Europa e África nesta semana, com algumas negociações se aproximando de US$ 110 por barril. A alta reflete o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e novos problemas no abastecimento provocados por conflitos na região e na Ucrânia.
O avanço foi impulsionado pela preocupação com a oferta global da commodity. O Brent datado, referência para mais de 60% das cargas físicas comercializadas no mundo, atingiu US$ 105,70 por barril na quinta-feira (23), o maior patamar desde o fim de maio. Com isso, o petróleo Forties, do Mar do Norte, alcançou US$ 108,77 nesta sexta-feira (24).
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A escalada ocorre após ataques de rebeldes houthis, aliados do Irã, contra petroleiros no Mar Vermelho. Os incidentes levaram embarcações a desviarem da rota tradicional e contornarem o continente africano, enquanto persistem as incertezas sobre o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação da commodity.
O cenário se agravou com o colapso das negociações preliminares entre Estados Unidos e Irã e com novas interrupções na produção do Cazaquistão. O país informou que reduziu pela metade sua extração de petróleo depois que supostos ataques de drones ucranianos afetaram o principal terminal de exportação no Mar Negro.
Segundo Tamas Varga, corretor da consultoria PVM, as preocupações com a oferta voltaram a dominar o mercado. A percepção de risco elevou os prêmios pagos por diferentes tipos de petróleo do Oriente Médio, incluindo Dubai, Omã e Murban, que registraram os maiores níveis em cerca de dois meses.
Diante da instabilidade, refinarias da Ásia intensificaram a busca por carregamentos disponíveis em outras regiões. A Saudi Aramco passou a oferecer cargas adicionais a partir do porto egípcio de Sidi Kerir, no Mediterrâneo, enquanto compradores do Japão e da Coreia do Sul procuram alternativas para reduzir os riscos associados às rotas do Mar Vermelho.
A mudança logística também elevou os custos do transporte marítimo, já que parte das embarcações passou a contornar a África, ampliando em semanas o tempo de viagem em relação ao trajeto tradicional.
Fonte: Infomoney