Investimento direto estrangeiro quase triplica e reforça economia brasileira
Fluxo de US$ 9,1 bilhões em junho coincide com queda do déficit externo e exportações recordes.
O investimento direto estrangeiro no Brasil alcançou US$ 9,1 bilhões em junho, quase três vezes o registrado no mesmo mês de 2025, informou o Banco Central nesta terça-feira (28). O avanço reforça a entrada de capital de longo prazo na economia e ocorreu em um cenário de redução do déficit nas contas externas, impulsionado pelo desempenho recorde das exportações.
Segundo o Banco Central, o investimento direto no país — destinado principalmente à instalação, ampliação ou aquisição de empresas — somou US$ 89,3 bilhões no acumulado de 12 meses encerrados em junho. O montante corresponde a 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar suficiente para financiar o déficit em transações correntes, equivalente a 2,46% do PIB.
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Em sentido oposto, os investimentos em carteira, modalidade que reúne aplicações estrangeiras em ações e títulos públicos, registraram saída líquida de US$ 600 milhões no mês.
O relatório também mostra melhora nas contas externas brasileiras. O déficit em transações correntes caiu para US$ 2,3 bilhões em junho, redução de 55,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o saldo negativo havia sido de US$ 5,2 bilhões.
A principal contribuição para esse resultado veio da balança comercial. O superávit passou de US$ 5,2 bilhões para US$ 8,8 bilhões em um ano, refletindo o crescimento mais intenso das exportações em relação às importações.
As vendas brasileiras ao exterior avançaram 24,8% e alcançaram US$ 36,4 bilhões, o maior valor da série histórica para o mês. Já as importações cresceram 15,3%, totalizando US$ 27,6 bilhões, o que ampliou o saldo positivo da balança comercial.
Apesar da melhora, o aumento das despesas com serviços reduziu parte do impacto favorável. O déficit nessa conta passou de US$ 4,4 bilhões para US$ 5,1 bilhões, influenciado principalmente pelos maiores gastos de brasileiros em viagens internacionais. Nessa rubrica, o déficit líquido cresceu 21%, chegando a US$ 1,4 bilhão.
No acumulado de 12 meses até junho, o déficit em transações correntes recuou para US$ 61,4 bilhões, equivalente a 2,46% do PIB. No mesmo período do ano anterior, o indicador representava 3,52% do produto, sinalizando menor necessidade de financiamento externo da economia.
O Banco Central informou ainda que as reservas internacionais encerraram junho em US$ 367,6 bilhões, uma redução de US$ 3,6 bilhões frente a maio. De acordo com a autoridade monetária, a queda foi influenciada pela valorização do dólar em relação a outras moedas, que reduziu o valor das reservas quando convertido para a moeda norte-americana, além de operações de venda de dólares realizadas pelo BC no mercado.
Fonte: SBT News