Juros para famílias sobem a 64% ao ano e inadimplência segue elevada

Endividamento chegou a 49,8% em maio, enquanto renda comprometida com dívidas aumentou.

Por Redação Portal AZ,

Os juros cobrados das famílias brasileiras voltaram a subir em junho e atingiram média de 64% ao ano nas operações de crédito livre, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central. O cenário também é marcado por níveis elevados de inadimplência e pelo aumento do comprometimento da renda com o pagamento de dívidas.

Foto: Marcello Casal JrAgência BrasilJuros elevados e aumento da renda comprometida mantêm pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras.
Juros elevados e aumento da renda comprometida mantêm pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras.

As Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central mostram que a taxa média do crédito livre para pessoas físicas avançou 1,2 ponto percentual em relação a maio e acumula alta de 4,6 pontos percentuais em 12 meses. O principal fator para o aumento foi a elevação das taxas do crédito pessoal não consignado, que registrou avanço de sete pontos percentuais no período.

Considerando todas as modalidades de crédito, a taxa média de juros das novas concessões chegou a 33,4% ao ano, com crescimento de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,5 ponto percentual na comparação com junho do ano passado. O spread bancário permaneceu em 21,9 pontos percentuais, estável em relação a maio.

A inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional ficou em 4,7% em junho, repetindo o índice do mês anterior, mas acima do registrado há um ano. Entre as famílias, o percentual permaneceu em 5,6%, enquanto no crédito livre para pessoas físicas a taxa alcançou 7,6%, ambas com aumento na comparação anual.

O levantamento também mostra que o endividamento das famílias atingiu 49,8% em maio. Embora tenha recuado 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior, o indicador ficou 0,9 ponto acima do observado no mesmo período de 2025. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas subiu para 28,5%, refletindo maior pressão sobre o orçamento doméstico.

No mercado de crédito, o saldo das operações do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões em junho, alta de 0,7% no mês e de 9,7% em 12 meses. Desse total, R$ 4,6 trilhões correspondem ao crédito destinado às famílias, que avançou 10,8% na comparação anual.

Apesar desse crescimento, o saldo do crédito livre para pessoas físicas recuou 0,1% em relação a maio, encerrando junho em R$ 2,5 trilhões. Segundo o Banco Central, a queda foi influenciada principalmente pela redução das carteiras de financiamento de veículos e do crédito pessoal não consignado sem garantias.

No conceito ampliado, o crédito ao setor não financeiro alcançou R$ 21,7 trilhões em junho, equivalente a 164,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O avanço foi impulsionado pela expansão dos títulos públicos, dos empréstimos concedidos pelo sistema financeiro e do crédito externo.

Fonte: Com informações da Agência Brasil

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