Falta de caminhoneiros ameaça fretes e logística no Brasil
Déficit de motoristas preocupa setor e pode elevar custos e atrasar entregas.
A escassez de caminhoneiros no Brasil acende um alerta para o transporte de cargas e pode provocar aumento dos fretes, atrasos nas entregas e dificuldades operacionais nos próximos anos. O cenário é agravado pela redução do número de profissionais, pelo envelhecimento da categoria e pela baixa entrada de jovens na atividade.
Levantamento com base em dados do Ministério dos Transportes aponta que o número de caminhoneiros em atividade caiu quase 20% na última década. Dos 27 estados brasileiros, 19 registraram redução no contingente de motoristas, com quedas mais acentuadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
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Como cerca de 65% das cargas no país são transportadas por rodovias, representantes do setor avaliam que a falta de mão de obra pode comprometer a logística nacional, principalmente em períodos de maior demanda, como safras agrícolas e datas de forte consumo.
Entre os fatores apontados para a escassez estão o envelhecimento da categoria, a dificuldade de renovação geracional, a insegurança nas estradas, as longas jornadas longe da família, a remuneração considerada pouco atrativa e o alto custo para obtenção das categorias D e E da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A pesquisadora do Observatório do TCU da FGV Direito SP, Mariana Carvalho, afirma que o problema é observado em outros países, mas se torna mais crítico no Brasil devido à forte dependência do modal rodoviário. Segundo ela, a redução no ingresso de novos profissionais tende a pressionar os custos do transporte e reduzir a capacidade operacional do setor.
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima um déficit de aproximadamente 250 mil caminhoneiros no país. De acordo com o presidente da entidade, Vander Costa, além das dificuldades da profissão, a migração de motoristas para o exterior, especialmente para Portugal, também contribui para a escassez de profissionais.
Para reduzir os impactos, transportadoras têm investido em caminhões com maior capacidade de carga e ampliado programas de qualificação de motoristas. A CNT também apoia iniciativas para facilitar a obtenção das categorias profissionais da CNH e incentivar a permanência de trabalhadores na atividade.
Outro desafio é a concorrência com ocupações consideradas mais atrativas. Segundo representantes do setor, muitos motoristas têm migrado para atividades como transporte por aplicativo e construção civil, que oferecem jornadas mais flexíveis e maior proximidade da família.
Além da falta de novos profissionais, empresários afirmam que exigências impostas por seguradoras para o gerenciamento de risco dificultam a formação de novos caminhoneiros. Entre as restrições citadas estão limitações para transportar aprendizes e critérios rigorosos para contratação, fatores que, segundo o setor, reduzem ainda mais a oferta de mão de obra.
Fonte: CNN Brasil