Veto da UE ameaça avanço das exportações brasileiras de carne e mel

Embargo entra em vigor em setembro e preocupa setores que ampliaram vendas ao mercado europeu.

Por Redação Portal AZ,

A decisão da União Europeia de proibir, a partir de 3 de setembro, a importação de carne bovina e mel do Brasil coloca em risco um mercado que vinha registrando crescimento para os exportadores brasileiros. Empresários contestam a justificativa do bloco, classificam a medida como protecionista e alertam para a dificuldade de redirecionar as vendas a outros destinos no curto prazo.

Foto: ReproduçãoExportações brasileiras de carne bovina e mel para a União Europeia cresceram antes do embargo previsto para setembro.
Exportações brasileiras de carne bovina e mel para a União Europeia cresceram antes do embargo previsto para setembro.

As exportações brasileiras de carne bovina e mel para a União Europeia ganharam força nos últimos anos, mas esse cenário deve mudar com a entrada em vigor do embargo europeu prevista para 3 de setembro. O bloco afirma que o Brasil não realiza fiscalização adequada sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, argumento rejeitado pelos setores afetados.

Representantes da cadeia produtiva sustentam que a decisão tem caráter protecionista e afirmam que a substituição do mercado europeu exigirá tempo, devido à necessidade de negociação com novos compradores e adaptação às exigências de outros destinos.

Os dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec) mostram que, apenas no primeiro semestre de 2026, as exportações de carne bovina para a União Europeia cresceram 19% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando 51,2 mil toneladas. Em 2025, o volume embarcado para o bloco já havia avançado 7% na comparação com 2024.

O aumento das vendas também impulsionou a receita do setor. Entre 2024 e 2025, o faturamento das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia passou de US$ 895,7 milhões para US$ 1,06 bilhão, alta de 18%.

No segmento de mel, o desempenho também foi positivo. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), as vendas ao bloco europeu renderam US$ 6,35 milhões entre janeiro e junho deste ano, praticamente o dobro dos US$ 3,18 milhões registrados no mesmo período de 2025.

A participação da União Europeia nas exportações brasileiras de mel também aumentou. Em 2025, o bloco respondeu por cerca de 5% das vendas externas do produto. No primeiro semestre deste ano, essa fatia se aproximou de 10%.

Além do impacto imediato, empresários destacam que a Europa é um mercado estratégico por adquirir cortes bovinos nobres, de maior valor agregado, como filé mignon, contrafilé e alcatra. Já mercados asiáticos, embora ampliem as compras de carne brasileira, concentram a demanda em produtos diferentes, como miúdos.

No caso do mel, a preocupação também é elevada. Apesar de Estados Unidos, Canadá e Alemanha figurarem entre os principais compradores do produto brasileiro, representantes do setor avaliam que dificilmente outros mercados conseguirão absorver, no curto prazo, o volume destinado aos países europeus.

O embargo ocorre em um momento de incerteza para os exportadores brasileiros. Embora carne bovina e mel tenham sido poupados das tarifas impostas recentemente pelos Estados Unidos, empresários afirmam que a instabilidade nas relações comerciais reforça a importância do mercado europeu para o agronegócio nacional.

Fonte: Com informações do G1

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