Salário mínimo de R$ 1.741 deixaria até 57% da renda para comida

Projeção com preços de julho mostra diferença no peso da cesta entre as capitais

Por Redação Portal AZ,

A previsão de um salário mínimo de R$ 1.741 em 2027 ainda depende do resultado final do INPC, mas uma projeção com os preços mais recentes da cesta básica mostra o impacto que a alimentação pode ter sobre a renda do trabalhador. Mantidos os valores registrados em julho de 2026, a cesta consumiria entre 36,89% e 56,82% do salário mínimo líquido, dependendo da capital.

Foto: ReproduçãoCesta básica pode consumir mais da metade do salário mínimo projetado em algumas capitais.
Cesta básica pode consumir mais da metade do salário mínimo projetado em algumas capitais.

O cálculo considera o valor líquido de R$ 1.610,43, já descontada a contribuição de 7,5% para a Previdência Social. Os preços utilizados são os levantados pelo Dieese e pela Conab em julho, quando o salário mínimo vigente era de R$ 1.621.

São Paulo teria o maior comprometimento da renda. A cesta básica custava R$ 915,01 na capital paulista, valor equivalente a 56,82% do mínimo líquido projetado. Na sequência aparecem Cuiabá, com cesta de R$ 881,27, comprometendo 54,72% da renda, e Florianópolis, com R$ 860,73, ou 53,45%.

No extremo oposto está Aracaju, onde a cesta custava R$ 594,07 em julho. O valor representaria 36,89% do salário líquido previsto para 2027. Maceió, com R$ 618,60, e Natal, com R$ 631,51, também ficaram entre as capitais com menor peso da alimentação sobre a renda.

A diferença entre as cidades está relacionada, entre outros fatores, à composição regional da cesta básica. No Norte e no Nordeste, por exemplo, a pesquisa considera menor quantidade de carne e substitui a farinha de trigo pela de mandioca. A batata também não integra a composição adotada nessas regiões.

Média nacional

Considerando as 27 capitais, a cesta básica de julho corresponderia a aproximadamente 45% do salário mínimo líquido projetado para 2027. No mesmo cálculo feito sobre o piso vigente à época, o comprometimento era de 49,34%.

A diferença resulta da combinação entre a previsão de reajuste de 7,4% no salário mínimo e a queda dos preços dos alimentos registrada em julho. Naquele mês, o custo da cesta caiu em 26 das 27 capitais pesquisadas.

Em São Paulo, por exemplo, a compra da cesta exigiu 124 horas e 11 minutos de trabalho de quem recebia o salário mínimo de R$ 1.621. Se o mesmo valor da cesta fosse mantido e o trabalhador recebesse R$ 1.741, seriam necessárias cerca de 115 horas e 40 minutos.

Projeção não garante ganho de renda

A redução projetada no peso da cesta não significa, necessariamente, aumento permanente do poder de compra. A comparação utiliza os preços de julho de 2026 e um salário previsto para 2027, portanto não considera a inflação dos alimentos ao longo dos próximos meses.

O próprio governo revisou para cima a projeção de inflação utilizada nas estimativas do salário mínimo e apontou o risco de pressão sobre os preços dos alimentos associada ao fenômeno climático El Niño.

Se os alimentos subirem junto com o salário, parte ou todo o ganho de renda projetado pode ser perdido.

O Dieese também calcula o chamado salário mínimo necessário, estimativa de quanto uma família de quatro pessoas precisaria receber para cobrir despesas básicas previstas na Constituição. Em julho, esse valor foi calculado em R$ 7.687,01, equivalente a 4,74 vezes o salário mínimo então vigente.

Como foi calculado

A projeção utiliza os preços da cesta básica divulgados pelo Dieese e pela Conab para julho de 2026, os dados mais recentes disponíveis no levantamento apresentado.

O salário mínimo de R$ 1.741 é uma previsão incluída na proposta orçamentária de 2027 e ainda pode ser alterada até dezembro, quando será conhecido o INPC que fecha o cálculo do reajuste.

Para medir o peso da alimentação, foi considerado o salário líquido, descontando 7,5% de contribuição previdenciária. Sobre R$ 1.741, esse valor corresponde a R$ 1.610,43.

Assim, o percentual atribuído a cada capital resulta da divisão do preço da cesta pelo valor líquido projetado. A comparação serve para dimensionar o poder de compra do salário estimado, mas não representa uma previsão do custo efetivo da cesta em 2027.

Fonte: SBT News

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