Niéde Guidon diz que não se pronunciou em caso de suposta tentativa de assalto à chefe da Capivara

Matéria da Cidade Verde trazia frase atribuída a pesquisadora em defesa de Marian Rodrigues

Por Redação Portal AZ,

Um telefonema da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), para a redação do PortalSRN, na cidade de São Raimundo Nonato, deixou o caso da suposta tentativa de assalto à chefe do Parque Nacional Serra da Capivara ainda mais suspeito. Na ligação uma funcionária da instituição científica solicitava que o site retirasse o nome da arqueóloga Niéde Guidon de uma matéria publicada originalmente pelo Cidade Verde e republicada em São Raimundo Nonato.


Niéde Guidon (Foto: divulgação)

Na matéria original a frase atribuída a Niéde dizia: A arqueóloga Niéde Guidon crê em "emboscada" e "intimidações" contra a diretora do parque, palavras entre aspas, dando a entender que foram pronunciadas pela pesquisadora paulista. Em seguida, a matéria do Cidade Verde traz supostas aspas de Guidon: “Eles fazem isso com quem trabalha direito. Eles só gostam de bandidos", publicou o site de Teresina.

Niéde Guidon alega que não se manifestou sobre o caso. Entramos em contato com a repórter Yala Sena do Cidade Verde e ela reafirma que ligou pessoalmente para Niéde e ela falou sim. “Mas para evitar polêmicas vou retirar da matéria original já que ela (Niéde) pediu”.


Serra da Capivara (Foto: divulgação)

O caso já estava sendo visto com muita desconfiança pela população da cidade e região do Parque Nacional Serra da Capivara. Vários detalhes da história não apresentam muito sentido, entre elas, o fato de uma moto com dois ocupantes baterem no vidro do veículo particular de Marian Rodrigues em plena rodovia, onde a velocidade, em média, é superior aos 80 quilômetros.  

Especialistas em perícia criminal afirmam que somente esse fato já descaracteriza uma suposta tentativa de assalto. Nessa velocidade o simples fato de um dos ocupantes da moto bater sistematicamente no vidro de um carro em movimento pode desequilibrar seus ocupantes. Além disso, um simples puxão do veículo para esquerda pode terminar derrubando os motociclistas.

Para trazer novos ingredientes para o polêmico caso, na última sexta-feira a coluna do jornalista Arimatéia Azevedo no Portal AZ trouxe três notas sobre o caso. Na primeira delas, o repórter afirma que a população do estado pode ter uma desagradável surpresa se a polícia se dedicar as investigações.
 
Em seguida Arimatéia afirma que dez entre dez pessoas em São Raimundo Nonato não acreditam na suposta tentativa de assalto e faz uma crítica contra as irmãs Castro que se manifestaram nas redes sociais. Com título de “Falsa Solidariedade”, o colunista afirma que as manifestações foram para ganhar pontos com a população, mas que, de prático, ninguém fez nada.

Ele se referia a solicitação formal para que a Polícia Federal entrasse no caso para esclarecer com perícias, análises das imagens das câmeras de monitoramento da cidade, interrogatórios de testemunhas e até uma reconstituição do fato. “Como o suposto crime foi cometido contra uma funcionária que ocupa cargo em comissão no Governo Federal, os políticos deveriam acionar a Polícia Federal para esclarecer o caso".


Sertão do Piauí (Foto: Portal AZ)

Na verdade, num caso dessa importância, os governantes deveriam exigir uma verdadeira força tarefa para esclarecer tudo e prender os culpados, caso efetivamente eles existam. O trabalho poderia ser feito com a Polícia Militar cedendo as imagens, a Polícia Civil com seu know how de investigação, solicitando, inclusive as imagens do Banco do Brasil que Marian Rodrigues alega ter passado antes de pegar a rodovia BR-020, e a Polícia Federal com a sua expertise em perícia coordenando tudo. Mas de efetivo, até hoje, nada foi feito passado mais de uma semana da suposta ameaça ou tentativa de assalto.

O caso foi replicado por toda a mídia do Piauí como numa espécie de manada. A matéria do Cidade Verde, por exemplo, terminou viralizando pelo Piauí afora e agora se descobre que nem mesmo as aspas da pesquisadora Niéde Guidon são verdadeiras. Enquanto as investigações não avançam, as especulações correm pela cidade e região. Já existem diferente versões pelas ruas. Uma delas especula que o caso pode ter sido originado com uma violência domestica, já que os hematomas da vítima ao chegar na UPA da cidade – aranhões nos joelhos e uma suposta torção no ombro -, lembram mais casos desse tipo de violência, e não de uma vítima que diz ter pulado cercas e corrido dentro do mato na escuridão da noite.

A sociedade cobra das autoridades a investigação profunda desse caso que certamente trará prejuízos para o turismo na Serra da Capivara se não for completamente esclarecido. Também é importante investigar se o caso pode se tratar de uma suposta retaliação ao trabalho de Marian no parque. Nesse caso seria ainda mais sério. Também importante descartar a hipótese de uma suposta intimidação da Marian como mulher. Tudo isso precisa ficar em pratos limpos, pelo bem da chefe da Capivara e de todos os moradores da região.

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