Greve dos ônibus já dura 45 dias em Teresina e sindicato apresentará contraproposta ao MPT
Órgão já propôs o funcionamento de 70% da frota nos horários de pico na capital
A greve dos trabalhadores de transporte público de Teresina já dura 45 dias. Parados desde o dia 15 de maio, os motoristas e cobradores reivindicam direitos, que segundo eles, foram tirados durante a pandemia do novo coronavírus. Na segunda-feira (29), o procurador regional do Trabalho, João Batista Machado Júnior do Ministério Público do Trabalho, reuniu-se com as partes e propôs o fim da greve dos motoristas de ônibus da capital. Ao Portal AZ, o sindicato afirmou que não está de acordo com a proposta e irá enviar nesta quarta-feira (01) uma contraproposta ao órgão.
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Serviço está paralisado há 45 dias na capital (Foto: Wilson Nanaia / Portal AZ)
De acordo com o que informou o MPT, o procurador regional sugeriu que fosse acatada a proposta de manutenção do salário de dezembro de 2019 aos trabalhadores, antes da redução determinada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem ticket-alimentação e plano de saúde, com as partes analisando novamente a situação em setembro de 2020.
Em entrevista ao Portal AZ, o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários no Estado do Piauí (SINTETRO), Ajuri Dias, informou que a categoria não está de acordo com o que está estabelecido pelo MPT e que na quarta-feira (01) apresentará uma contraproposta ao órgão que inclui a manutenção do plano de saúde, dado como algo fundamental para a classe principalmente durante a pandemia.
"A gente discordou dessa proposta do Ministério Público. A gente compreende o momento que nós passamos hoje é de dificuldade, tanto de crise sanitária quanto crise econômica, mas a proposta do Ministério Público, em relação ao plano de saúde, a gente não tem como suspender o plano de saúde. Esse é o momento em que os trabalhadores necessitam de um acolhimento em relação a esses atendimentos. No momento em que possamos ser acometidos de doença nós não temos como ir para o plano por causa da suspensão. Além do mais, as três propostas do Ministério não tem nenhuma proposta de retorno desses benefícios e do salário até porque não tem nada assinado. Já estamos passando por uma dificuldade enorme de fazer acordo, todos os argumentos que o Setut se utilizou para se beneficiar nesse período, então não é justo, que nesse momento tão difícil, principalmente o plano de saúde afeta diretamente todos nos porque temos nossa família no plano", explicou.
A proposta do sindicato é de que a data-base retorne para janeiro garantindo os benefícios atuais, alegando que os empresários foram beneficiados com o reajuste da tarifa de ônibus na capital.
Caso não haja acordo, o MPT-PI já propôs o funcionamento de 70% da frota nos horários de pico e de 30% nos demais horários, levando-se sempre em consideração as ordens de serviço da STRANS. Persistindo a paralisação, o MPT-PI irá ajuizar um dissídio coletivo de greve. O vice-presidente afirmou que caso seja decidido pelo fim da paralisação pelo MPT, a decisão será acatada pelo sindicato.
O que diz a Strans?
De acordo com a ata da audiência, Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS) comprometeu-se a disponibilizar recursos financeiros para suprir as necessidades das empresas quanto ao combustível. Indagado, o Superintendente da STRANS registrou que a bilhetagem eletrônica representa em torno de oitenta ou noventa porcento do total de passagens.
O que diz o SETUT?
Em nota encaminhada ao Portal AZ, na tarde desta terça-feira (30), o Setut afirmou que esta avaliando a "consistente proposição" do Ministério Público do Trabalho para a categoria laboral e patronal. Veja abaixo:
A mediação quanto a greve está sendo coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), através do Procurador João Batista Machado, que apresentou proposta na tarde desta segunda-feira, dia 29, para o sindicato laboral e patronal. O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) está avaliando a consistente proposição para poder restabelecer os serviços aos cidadãos teresinenses.
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