Obra do Hospital da mulher em Teresina vira alvo do MPC-PI

Contrato de R$ 57,6 milhões teve pagamento sem medições físicas, diz denuncia

Por José Ribas Neto,

O contrato nº 117/2023 da Fundação Municipal de Saúde de Teresina previa a construção do Hospital da Mulher. No papel, parecia uma disputa. Três construtoras se inscreveram: R Melo, CP Engenharia e Vanguarda Engenharia Ltda., de Jivago Castro, sobrinho do senador Marcelo Castro (MDB-PI).

Foto: ReproduçãoEssa frase: “em breve aqui”, nunca  se confirmará. Comeram parte do dibheiro federal pro hospital da mulher.
Local onde deveria existir o Hospital da Mulher em Teresina

A concorrência, no entanto, terminou antes de começar. As duas primeiras empresas foram eliminadas logo na fase inicial, e a Vanguarda ficou sozinha com o contrato de R$ 57,6 milhões.

Obras não saíram do chão

Entre fevereiro e setembro de 2024, ainda na gestão de José Pessoa Leal, a Vanguarda recebeu R$ 17,2 milhões da prefeitura. Os pagamentos foram feitos sem medições físicas que comprovassem a evolução do canteiro, é o que diz a denúncia enviada ao TCE-PI e segundo fontes, o depoimento de uma testemunha a Polícia Federal.

Foto: ReproduçãoValores e datas de pagamento da obra do Hospital
Valores e datas de pagamento da obra do Hospital

Segundo o denunciante, não há relatórios de metragem ou execução que justifiquem os repasses.

As planilhas apontam que o dinheiro saiu de operações de crédito do Banco do Brasil, dentro do programa Cidade Integrada com o Povo, e de repasses do Orçamento Geral da União ao Fundo Municipal de Saúde.

Emendas e caixa reforçado

Nesse ponto, surgiram rumores de que Marcelo Castro teria viabilizado os recursos, pois na mídia havia falando em destinação milionária para obra.

De fato o senador destinou R$ 29,5 milhões em emendas individuais em 2023 e outros R$ 34,6 milhões em 2024 para custeio da atenção primária para vários municípios do Piauí.

Não há, porém, ligação direta entre essas emendas e o Hospital da Mulher, pois isso ensejaria uma investigação de órgãos federais de controle

Segundo denúncia o dinheiro entrou no Fundo Municipal de Saúde e envios ao Banco do Brasil que serviu para cobrir despesas de custeio, liberando verbas locais e de empréstimos para bancar a obra, o que seria arranjo que funcionou como tapa-buraco contábil.

Investigação aberta

Enquanto o discurso político prometia R$ 53 milhões para o hospital, na prática os recursos não saíram diretamente da cota de Marcelo. O contrato já está encerrado e se tornou alvo de investigação.

Foto: ReproduçãoDEINFRA irá analisar se as metragens batem com os pagamentos feitos pela prefeitura de Teresina na gestão Pessoa
DEINFRA irá analisar se as metragens batem com os pagamentos feitos pela prefeitura de Teresina na gestão Pessoa

O procurador Plínio Valente Ramos Neto levou o caso ao Tribunal de Contas do Estado. O processo, TC/010973/2025, está sob relatoria do conselheiro Jackson Nobre Veras e apura tanto os projetos quanto a execução.

Fonte: Portal AZ

Comente

Pequisar