Editorial: O abismo entre a eficiência da Piauí Conectado e o colapso da Etipi

As duas entidades frente a frente evidencia que uma é o oposto da outra em termos de resultados

Por Redação do Portal AZ,

O estado do Piauí vive um paradoxo digital sem precedentes. Após saltar do "apagão tecnológico" para o posto de estado com a internet mais rápida do Brasil, o legado de inovação construído pela Parceria Público-Privada (PPP) Piauí Conectado está sob ameaça direta. O motivo é a ascensão da estatal ETIPI (Empresa de Tecnologia da Informação do Piauí), que assumiu a operação da rede após uma ruptura contratual unilateral, mas que hoje opera em cenário de insolvência técnica, opacidade financeira e insegurança jurídica.

Foto: ReproduçãoSede do Piauí Conectado
Sede do Piauí Conectado

O Sucesso da PPP: R$ 600 Milhões em Investimento Privado.

Iniciada em 2018, a PPP Piauí Conectado transformou a realidade socioeconômica do estado sem onerar o tesouro estadual com investimentos de capital. Através do aporte de mais de R$ 600 milhões em recursos exclusivamente da iniciativa privada, o projeto atingiu marcos históricos:

Conectividade Total: Fibra óptica de alta performance nos 224 municípios piauienses.

Eficiência Governamental: Interligação de mais de 3.000 pontos públicos, incluindo escolas, delegacias e hospitais.

Inclusão Social: Criação de centenas de Pontos de Acesso Público (PAPs) com Wi-Fi gratuito para a população.

Economia ao Erário: Redução drástica nos custos com links de dados para a administração pública.

O Colapso da Gestão Estatal: A Insolvência da ETIPI. Em contraste ao sucesso da iniciativa privada, a gestão da estatal ETIPI — criada para substituir a antiga ATI e assumir os ativos da PPP — é marcada por prejuízos incalculáveis. Relatórios contábeis de 2023 já revelavam um cenário alarmante: um prejuízo líquido de R$ 87,17 milhões em apenas seis meses, caracterizando o que especialistas chamam de "falência técnica" (passivo a descoberto).

O cenário de 2024 a 2026 é de total "apagão de transparência". A ETIPI descumpre a Lei das S/A e seu próprio estatuto ao não publicar os balanços financeiros de 2024 e 2025. Estima-se que mais de R$ 213 milhões em dinheiro público já tenham sido transferidos para a estatal, sem que a sociedade saiba o destino real desses recursos.

Insegurança Jurídica e Risco de Expropriação. O rompimento unilateral do contrato de concessão, sob o argumento de falta de informações sobre bens reversíveis, é visto pelo mercado como uma manobra para a expropriação de patrimônio privado. A contradição é flagrante: o Poder Concedente alega falta de dados da SPE, mas a sua própria estatal, a ETIPI, foi reprovada por auditores independentes por não conseguir localizar ou inventariar os próprios bens e equipamentos.

"O Piauí tornou-se um terreno proibido para o investidor sério", afirmam analistas de mercado. "O risco de descumprimento de contratos e o confisco de ativos bilionários sinalizam um ambiente de insegurança jurídica que afugenta o capital necessário para o desenvolvimento do estado."

A tentativa de estatizar uma infraestrutura de vanguarda através de uma empresa tecnicamente insolvente e dependente de repasses mensais milionários ameaça o futuro da conectividade piauiense. Sem a capacidade de investimento e a expertise da iniciativa privada, o risco de sucateamento da rede de fibra óptica é iminente.

O que era um "case" internacional de sucesso em infraestrutura digital transformou-se em um alerta sobre os perigos da intervenção estatal arbitrária e da má gestão de recursos públicos.   

Conclusão: O Piauí trocou um modelo de sucesso premiado e autossustentável por uma estrutura pública deficitária, opaca e juridicamente instável, colocando em jogo o futuro digital de toda a população.

Fonte: Portal AZ

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