Delegado manda investigar Portal AZ após coluna falar de questionamentos

Reação ocorre após coluna sobre a Carbono Oculto, mas vem desde da denúncia do estupro na delegacia-geral

Por Redação do Portal AZ,

A decisão do delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Lucy Keiko, de instaurar inquérito contra o Portal AZ após a publicação de uma coluna da seção “Direto da Redação” elevou o nível de tensão entre a instituição e o veículo. O caso ocorre em meio ao enfraquecimento judicial de parte da Operação Carbono Oculto e levanta questionamentos sobre os limites da atuação estatal diante da atividade jornalística.

Foto: ReproduçãoDelegado Lucy Keiko
Delegado Lucy Keiko

Em declaração pública, a delegada classificou a coluna como “caluniosa” e afirmou que o conteúdo levantou, de forma irresponsável, hipóteses de que a polícia teria forjado provas no inquérito que deu origem à operação. Segundo Lucy Keiko, o procedimento foi instaurado para identificar os autores, suas intenções e eventuais articuladores.

A reação institucional acontece logo após uma decisão da Justiça que anulou parte de um dos inquéritos da Carbono Oculto, reconhecendo irregularidades no uso de relatórios do Coaf e determinando o trancamento da investigação. O episódio já havia fragilizado a narrativa inicial do caso, que apontava ligação com o PCC, um elemento que sequer foi incluído na denúncia formal apresentada no Piauí.

Histórico de atritos com o portal

A relação entre a Polícia Civil e o Portal AZ já vinha tensionada desde episódios anteriores. Um dos mais emblemáticos foi a divulgação, em primeira mão pelo veículo, do caso de uma mulher estuprada dentro da estrutura da Delegacia Geral, fato que gerou forte repercussão e colocou a instituição sob pressão.

Desde então, o portal tem mantido uma linha editorial crítica, com reportagens e investigações que atingem diretamente a gestão estadual e setores da alta cúpula do poder público.

Existe caráter persecutório?

Nos bastidores, a abertura de inquérito contra o Portal AZ é interpretada por críticos como uma medida que ultrapassa o campo da resposta institucional e avança para um cenário de possível intimidação. Isso porque o veículo é hoje um dos poucos — ou o único, na avaliação de interlocutores — a publicar de forma sistemática denúncias envolvendo o governo do estado do Piauí.

O Portal teme que com isso cresça a interpretação de que a estrutura da Polícia Civil esteja sendo utilizada para atingir um portal específico, o que poderia configurar uma postura de caráter persecutório, sobretudo quando direcionada a um veículo que atua na divulgação de possíveis irregularidades e casos de corrupção na esfera pública.

A avaliação é que, independentemente do mérito das reportagens, o uso de aparato policial contra um órgão de imprensa levanta um alerta institucional sobre liberdade de expressão e o papel fiscalizador da mídia.

Portal diz que cumpriu dever jornalístico

O Portal AZ sustenta que a coluna “Direto da Redação”, assinada coletivamente por jornalistas, não fez acusações diretas, mas apresentou questionamentos baseados em informações constantes nos autos e em discussões que circulam entre setores influentes da sociedade.

Segundo o veículo, a publicação está dentro dos limites da atividade jornalística, especialmente no formato de coluna opinativa, cujo objetivo é analisar, questionar e confrontar versões oficiais.

Cenário de desgaste institucional

Com a anulação de provas na Justiça e o afastamento, no Piauí, da tese de organização criminosa, a Operação Carbono Oculto entra em uma fase de revisão pública e jurídica. Nesse ambiente, a reação da Polícia Civil contra o portal adiciona um novo elemento de crise.

De um lado, a instituição sustenta que precisa proteger a integridade de suas investigações. De outro, cresce a leitura de que o foco da controvérsia está sendo deslocado para a imprensa, em um momento em que decisões judiciais começam a atingir o núcleo da apuração.

O caso deve ter desdobramentos tanto no campo jurídico quanto no debate mais amplo sobre liberdade de imprensa e os limites da atuação estatal frente a veículos que exercem papel crítico na fiscalização do poder público.

Fonte: Portal AZ

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