MPF investiga diretor-geral da PF por suspeita de vazamento de informações

Órgão apura se Andrei Rodrigues divulgou informações sigilosas da Operação Sem Desconto

Por Viviane Setragni,

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um Procedimento Investigatório Criminal para apurar se o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, divulgou informações sigilosas relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos aplicados a aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência BrasilOk

A abertura da investigação ocorreu após a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF rejeitar um pedido de arquivamento do caso e apontar a necessidade de aprofundar as apurações. O órgão pretende verificar se houve descumprimento de dever funcional, crime de violação de sigilo funcional ou ato de improbidade administrativa.

O caso tem como ponto central declarações feitas por Rodrigues em abril de 2025 sobre o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). Na época, a entidade tinha entre seus dirigentes José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista ao ICL Notícias, o diretor-geral da PF afirmou que o sindicato e seus gestores não eram alvos de buscas e apreensões naquele momento. Rodrigues também negou que Frei Chico fosse investigado na operação.

“E respondendo muito objetivamente, o irmão do presidente Lula não é alvo da operação, não é investigado na operação”, declarou.

O diretor-geral acrescentou que o bloqueio dos descontos relacionados ao sindicato ocorreu por determinação judicial, após solicitação da Polícia Federal, em procedimento semelhante ao adotado em relação a outras entidades.

Na portaria que instaurou o procedimento investigatório, o MPF determinou o envio de um ofício a Rodrigues para que apresente informações sobre os fatos. O órgão também solicitou a inclusão de uma cópia da decisão judicial que estabeleceu o sigilo do inquérito relacionado ao sindicato.

Sindnapi ficou fora de pedido inicial de bloqueio de recursos

Em maio de 2025, a Advocacia-Geral da União (AGU) não incluiu o Sindnapi nos pedidos iniciais de bloqueio de recursos apresentados à Justiça para garantir o ressarcimento de aposentados e pensionistas prejudicados pelas fraudes no INSS. A entidade havia arrecadado R$ 90 milhões em 2023.

Na ocasião, a AGU informou que a seleção das 12 entidades incluídas na ação cautelar considerou uma apuração administrativa aberta pelo INSS em 5 de maio daquele ano. O órgão também declarou que adotaria novas medidas judiciais para buscar a reparação dos prejuízos causados aos beneficiários.

Em outubro de 2025, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), apontou suspeitas consistentes de que integrantes do Sindnapi participavam de uma organização criminosa voltada a prejudicar aposentados e pensionistas.

De acordo com os indícios mencionados na decisão, os valores arrecadados por meio dos descontos eram submetidos a operações de lavagem de dinheiro para ocultar sua origem ilícita.

Mendonça considerou informações apresentadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre movimentações financeiras atípicas. A partir desses elementos, autorizou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do sindicato e de seus dirigentes, abrangendo o período iniciado em 2020.

Fonte: CNN

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