Falhas em satélites fazem drones ucranianos cair durante operações
Problemas no Starshield afetaram operações militares e elevaram as divergências entre Kiev e Washington
Falhas de conexão nos sistemas de internet via satélite Starshield e Starlink prejudicaram operações militares da Ucrânia contra forças russas e ampliaram as tensões entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo comandantes ucranianos, as dificuldades afetaram o controle de drones armados, provocaram perdas de equipamentos e limitaram ações militares.
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O comandante ucraniano Oleh, identificado apenas pelo primeiro nome por razões de segurança operacional, relatou que dezenas de drones estavam a caminho de alvos militares russos na semana passada quando as transmissões de vídeo começaram a apresentar instabilidade. Os equipamentos perderam a conexão com os operadores em terra por meio do Starshield, serviço de internet via satélite financiado pelo Pentágono.
De acordo com o militar, vários drones caíram durante as operações, provocando prejuízos superiores a US$ 1 milhão em armamentos. As falhas também levaram à suspensão de quase todas as operações de sua unidade pelos três dias seguintes, incluindo ataques contra postos de comando e centros de combustível russos.
Oleh afirmou que essas ofensivas ajudam a proteger soldados ucranianos na linha de frente e a dificultar o avanço das tropas russas.
As dificuldades de conectividade se tornaram mais um ponto de atrito entre Kiev e Washington. Autoridades ucranianas suspeitam que as restrições tenham sido determinadas pelo governo Trump como forma de pressionar a Ucrânia após ataques contra refinarias de petróleo russas e incentivar o país a aceitar concessões na guerra.
Além dos problemas nos serviços de satélite, autoridades ucranianas relataram falhas no compartilhamento de informações de inteligência militar pelos Estados Unidos e atrasos na entrega de mísseis interceptadores. O governo americano nega ter suspendido deliberadamente o apoio.
O Starshield é uma versão militar do Starlink, sistema de internet via satélite da empresa SpaceX, de Elon Musk. Países europeus financiam o acesso da Ucrânia à tecnologia, utilizada por unidades militares para controlar drones. O Starlink convencional também é empregado em comunicações mais básicas.
Segundo autoridades ucranianas, as primeiras restrições fizeram com que drones perdessem a conexão mesmo quando voavam a cerca de 64 km/h. Posteriormente, a situação melhorou, mas os equipamentos ainda enfrentavam interrupções ao ultrapassar aproximadamente 160 km/h.
A limitação prejudica especialmente os drones que precisam atingir velocidades mais elevadas para alcançar seus alvos. O general de brigada Andriy Biletsky, que assumiu recentemente o comando de milhares de militares do Agrupamento Central de Forças no leste da Ucrânia, afirmou que as tropas estão tentando adaptar seus equipamentos às novas condições.
Segundo o general, antes das restrições, drones ucranianos conectados ao Starshield conseguiam voar a até 400 km/h com conexão estável. Embora o limite formal de velocidade já fosse de aproximadamente 160 km/h, a regra não era aplicada na prática, de acordo com ele.
As limitações também afetam os drones interceptadores usados para combater aeronaves não tripuladas russas que atacam cidades ucranianas. Biletsky alertou que os equipamentos destinados a enfrentar drones russos movidos a jato continuarão prejudicados, já que precisam superar a velocidade dos alvos para interceptá-los.
O general classificou as restrições como prejudiciais à defesa da população civil ucraniana e afirmou que a redução dos limites de velocidade enfraquece a capacidade de proteger as cidades contra ataques aéreos.
Diante da instabilidade, a Ucrânia busca alternativas para manter suas operações militares. Comandantes afirmam, porém, que a necessidade de adaptar os sistemas e encontrar outras soluções desvia parte da atenção dos soldados das atividades no campo de batalha.
A origem das falhas também provocou divergências entre autoridades americanas. A Casa Branca afirmou, em comunicado, que não houve mudanças nos serviços de internet via satélite utilizados na Ucrânia. Trump declarou que qualquer alteração não havia sido determinada por ele e disse que, segundo seu entendimento, o serviço continuava funcionando como antes.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reconheceu que houve uma desaceleração do Starlink na Ucrânia, mas afirmou acreditar que a situação havia sido normalizada. Elon Musk, por sua vez, declarou que o Starshield é controlado pelo Pentágono. Rubio afirmou que a empresa SpaceX determina o acesso ao Starlink e ao Starshield.
Zelensky classificou as mudanças no Starshield como uma operação planejada. Em resposta, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Trump e Rubio negaram categoricamente que integrantes do governo americano tivessem determinado as interrupções. Bessent também considerou imprudente a acusação feita pelo presidente ucraniano.
Na terça-feira, Zelensky informou ter mantido uma conversa com Rubio sobre o Starshield, a escassez de interceptadores de mísseis e as recentes interrupções nos sistemas de alerta antecipado de ataques russos com mísseis balísticos.
Rubio negou que os Estados Unidos tenham deixado de alertar a Ucrânia sobre ataques. Ele também afirmou que os interceptadores Patriot enfrentam escassez em todo o mundo e declarou que nenhum equipamento está sendo deliberadamente negado aos ucranianos.
A situação também provocou reações no Congresso americano. Parlamentares dos partidos Republicano e Democrata pediram a restauração plena da conectividade via satélite utilizada pela Ucrânia.
Após uma videoconferência com Zelensky na segunda-feira, o senador republicano Thom Tillis afirmou que o presidente ucraniano relatou interrupções persistentes no Starlink, falhas no compartilhamento de informações militares importantes e atrasos na entrega de interceptadores destinados à defesa aérea.
Tillis criticou medidas que, em sua avaliação, enfraquecem a capacidade de defesa ucraniana e favorecem os interesses russos. Ele também mencionou a autorização para que os Estados Unidos comprassem diesel russo, argumentando que ações desse tipo poderiam prolongar o conflito.
Fonte: Infomoney