Paraguai convoca embaixador após fala de Lula sobre guerra do século XIX

Presidentes conversaram por telefone, e governo paraguaio entregará nota oficial ao Brasil.

Por Redação Portal AZ,

O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção para prestar esclarecimentos após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Antes da medida, Lula e o presidente paraguaio, Santiago Peña, conversaram por telefone para tratar da repercussão do episódio.

Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilLula e Santiago Peña conversaram após declarações sobre a Guerra da Tríplice Aliança gerarem tensão diplomática.
Lula e Santiago Peña conversaram após declarações sobre a Guerra da Tríplice Aliança gerarem tensão diplomática.

A informação foi confirmada nesta quinta-feira (30) pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano. Segundo ele, o embaixador brasileiro José Antônio Marcondes de Carvalho participará, nesta sexta-feira (31), de uma reunião com o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, quando receberá uma nota oficial do governo em resposta às declarações do presidente brasileiro.

Lezcano também informou que discutiu o tema com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante encontro realizado em Lima, no Peru, por ocasião da cerimônia de posse da presidente Keiko Fujimori.

A crise diplomática teve início após um discurso de Lula na última sexta-feira (24), em que o presidente afirmou que o Paraguai invadiu Brasil, Argentina e Uruguai, desencadeando o conflito conhecido como Guerra da Tríplice Aliança, travado entre 1864 e 1870.

As declarações provocaram forte reação no Paraguai, onde o episódio histórico permanece como um dos principais marcos da memória nacional. Estimativas históricas apontam que o conflito resultou na morte de grande parte da população paraguaia, tornando o tema especialmente sensível no país.

Na quarta-feira (29), o Congresso paraguaio aprovou uma declaração de repúdio às falas de Lula. No documento, os parlamentares afirmam que as declarações "distorcem e minimizam a dimensão histórica" da guerra, reforçando o descontentamento das autoridades locais com a manifestação do presidente brasileiro.

Fonte: CNN Brasil

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