Argentina descarta reação após Brasil rebaixar relações diplomáticas
Governo Milei lamenta decisão do Itamaraty e diz que não adotará medidas de retaliação.
O governo da Argentina afirmou nesta quarta-feira (5) que não adotará medidas diplomáticas em resposta ao rebaixamento das relações com o Brasil. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, após a decisão do Itamaraty de reduzir o nível da representação diplomática entre os dois países.
Durante entrevista coletiva, Pablo Quirno afirmou que a Argentina considera equivocada a decisão brasileira, mas ressaltou que Buenos Aires pretende manter abertos os canais de diálogo e não responderá com medidas equivalentes.
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"Em toda disputa são necessários dois. A Argentina lamenta a decisão unilateral do Brasil e continuará disposta a preservar as relações diplomáticas", declarou o chanceler.
Na terça-feira (4), o governo argentino informou que foi comunicado oficialmente pelo Itamaraty de que as relações bilaterais passarão a ser conduzidas no nível de encarregados de negócios, reduzindo o status diplomático entre os países.
A crise se intensificou após novas declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Segundo fontes diplomáticas brasileiras, as manifestações foram determinantes para o agravamento das relações.
Em nota oficial, a chancelaria argentina classificou a decisão brasileira como unilateral e afirmou que o Brasil estaria se isolando da região por razões ideológicas. O governo de Javier Milei também destacou que, em episódios anteriores de divergências políticas entre autoridades dos dois países, optou por não transformar os conflitos em incidentes diplomáticos.
O comunicado também informou que o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, foi convocado pelo Itamaraty para receber a notificação formal da medida. O diplomata já havia sido chamado anteriormente para prestar esclarecimentos após declarações de Milei contra Lula.
Com o rebaixamento das relações, o embaixador brasileiro não retornará a Buenos Aires enquanto persistirem os ataques do presidente argentino, segundo o governo brasileiro. A embaixada do Brasil na Argentina ficará sob comando do ministro-conselheiro Eduardo Uziel.
A atual crise aprofunda o distanciamento entre os dois governos. Desde que Javier Milei assumiu a Presidência da Argentina, ele e Lula ainda não realizaram uma reunião bilateral oficial.
Fonte: CNN Brasil