Conselho constata falta de recursos e medicamentos durante fiscalização em hospital regional
Conselho constata falta de recursos e medicamentos durante fiscalização em hospital regional
Os recursos que chegam ao Hospital Regional de Campo Maior não estão sendo suficientes para cobrir as despesas necessárias com insumos, sendo que falta uma série de medicamentos e a escala médica encontra-se reduzida, principalmente para algumas cirurgias.
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Foto: Divulgação
A constatação é da diretoria do Conselho Regional de Medicina (CRM-PI) que fez uma fiscalização no hospital realizada nesta quinta-feira (23). A ação foi feita depois de um áudio que vazou pela internet no início dessa semana, com a denúncia da então diretora geral do Hospital Regional de Campo Maior, Jardênia Ribeiro de Sousa.
O diretor financeiro do hospital, Robert Sousa Alves, confirmou as informações da ex-diretora Jardênia Sousa, de que mensalmente os fornecedores estão sendo pagos apenas com parte da dívida, pois, segundo ele, o montante do recurso que chega não é suficiente para cobrir as despesas com insumos e medicamentos.
“Para se ter uma ideia, neste mês de agosto, o recurso que entrou na conta do hospital foi de R$ 402 mil (referente a julho), aproximadamente R$ 239 mil são para pagar a folha de pagamento, além de outras despesas e somente sobram R$ 70 mil para pagar fornecedores, recurso nem de longe suficiente para tal. Segundo a direção do hospital, são necessários mensalmente um montante de R$ 120 mil somente para a compra de medicamentos e material hospitalar. Também foi informado que a dívida com fornecedores de janeiro a agosto desse ano já passa de R$ 400 mil”, informa a nota do CRM.
Ainda de acordo com o conselho, o hospital que possui 110 leitos, conta com 140 profissionais, grande parte sem nenhum vínculo e nem contrato trabalhista, mas que recebem salários, entre eles médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal de serviços gerais.
Foto: Divulgação
Recentemente, um dos fornecedores de material descartável para a distribuição de quentinhas da cantina do hospital deixou de fornecer por falta de pagamento. A fiscalização não registrou falta de alimentos para manter o hospital, no entanto, a farmácia conta com uma lista com vários medicamentos que estavam em falta no momento da fiscalização”, diz a nota.
Segundo o CRM, o contrato com a empresa responsável pelos dosímetros de radiação, utilizados pelos técnicos em radiologia, não foi renovado por falta de verba, comprometendo assim a proteção contra danos à saúde dos profissionais. Além disso, o hospital não conta com nenhuma ambulância de suporte avançado, apenas duas ambulâncias básicas e no momento da fiscalização, somente uma ambulância se encontrava presente e em péssimas condições de uso.
Foto: Divulgação
As cirurgias de algumas especialidades médicas, como ortopedia não são realizadas diariamente, como se espera em um hospital regional, que atende Campo Maior e mais 15 municípios circunvizinhos. Quando não é possível realizar alguns tipos de cirurgias, os pacientes passam por regulação e são transferidos para Teresina. O hospital também enfrenta vários problemas estruturais, como infiltrações, paredes e tetos deteriorados e as enfermarias possuem ar condicionados quebrados e os pacientes enfrentam o calor usando ventiladores”, finaliza.