Bolsonaro vai conhecer o Museu do Homem Americano e visitar parque em que foi hostilizado
Niéde Guidon não vai receber o presidente. Pesquisadora está completamente isolada, de quarentena.
A provável chegada do presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido), no aeroporto de São Raimundo Nonato (525 km de Teresina), se transformou em destaque na mídia nacional. Algo até meio folclórico, como não poderia deixar de ser no Piauí com os seus políticos exóticos.
A viagem ainda nem foi confirmada oficialmente pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e os bastidores já são sintomáticos da tragédia ou comédia grega que se aproxima.
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Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
Depois de criticar inúmeras vezes o trabalho de arqueólogos e pesquisadores, Bolsonaro pode conhecer os fósseis humanos mais antigos do Nordeste, com cerca de 12 mil anos. No lugar tem alguns exemplares de “cocô” de índio como Bolsonaro se referiu aos vestígios arqueológicos.
A visita ao Museu do Homem Americano vem sendo divulgada pelo senador Elmano Ferrer (Podemos). Já o senador Ciro Nogueira (PP), aliado de última hora do presidente, e capô máximo do fisiológico centrão, anuncia uma visita ao Museu da Natureza, na zona rural de Coronel José Dias.
Hostilizado no parque piauiense
Os dois políticos desejam que Bolsonaro visite o Parque Nacional da Serra da Capivara, mais especialmente o anfiteatro da Pedra Furada, onde o “Mito” como os seus apoiadores chamam o presidente, foi hostilizado durante o festival Ópera 2017, coordenado pelo PT através da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Piauí.
Naquele momento os artistas e o público presente no evento organizado pelas principais lideranças do Progressistas e PT no Piauí, hostilizaram fortemente o presidente Bolsonaro, seus filhos e a sua família. Inúmeras vezes.
Na internet é possível ver facilmente os vídeos que registram os ataques a Bolsonaro é sua família. Ao mesmo tempo, a chefe da unidade de conservação federal, Marian Rodrigues, não é analista ambiental nem faz parte dos quadros do ICMBIO, ocupando um cargo político indicada ainda no governo Temer. Nos últimos meses ela protagonizou uma série de escândalos na gestão do parque.
Nesse caos de desinformação, ninguém se entende. Só aproveitam para faturar politicamente. Infelizmente no Piauí sempre foi assim: a propaganda dos políticos se antecipam aos fatos. Nada ainda aconteceu, mas cada um deles tenta faturar o mérito. E suas declarações viram machetes, são compartilhadaa nas redes sociais e ocupam os microfones das rádios da capital e dos rincões piauienses.
O mais preocupante é que Ciro e Elmano esquecem que o Parque Nacional da Serra da Capivara, como a grande maioria das reservas federais estão fechadas. Os museus estão fechados. Todos respeitando as medidas preventivas em relação ao Covid-19, ou vão abrir tudo para o presidente visitar?
Interior baiano
Nada disso, no entanto, tem base real. Na realidade, Bolsonaro vem ao semiárido para “inaugurar” uma adutora que pretende levar água do Rio São Francisco para o pequenino, pobre, isolado, desconhecido e violento município de Campo Alegre de Lourdes, no extremo norte da Bahia. Interessante que essa cidade tem uma história ligada ao matadores profissionais da década de 1970 em São Paulo. Na época, um baiano desse município se destacou como o maior matador de bandidos da capital paulista.
A passagem por São Raimundo Nonato é uma questão estratégica para o deslocamento do presidente na viagem para o interior baiano. O aeroporto de São Raimundo Nonato fica próximo da cidade baiana e tem boa infraestrutura.
Niéde não pode receber presidente
Além disso, a representante máxima da arqueologia brasileira, a paulista Niéde Guidon está completamente isolada. Com 87 anos ela não pode participar de eventos com aglomeração de pessoas nem receber ninguém, segundo a sua assessoria.
Niéde Guidon (Foto: divulgação)
Para piorar o quadro, São Raimundo Nonato ultrapassou os 500 casos confirmados de Covid-19 e o movimento natural da viagem de um presidente deve impactar ainda mais a saúde local. Políticos não vão faltar sem máscaras no local, aglomerados e desrespeitando o distanciamento social, e o resultado disso tudo é imprevisível.
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