MP investiga desvio de R$ 50 milhões na Educação do DF
Operação mira deputado líder do governo e cumpre mandados em quatro estados.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios deflagrou na manhã desta quinta-feira (12) uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de cerca de R$ 50 milhões em recursos públicos ligados à Secretaria de Educação do Distrito Federal. Um dos alvos da ação é o deputado distrital Hermeto (MDB), líder do governo de Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Ao todo, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, Goiás e Tocantins. Entre os locais alvo da operação estão o gabinete do parlamentar na Câmara Legislativa, a sede da Secretaria de Educação do DF e a residência do deputado. Um empresário que vive em São Paulo também é alvo das diligências.
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A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil do Distrito Federal.
De acordo com relatórios da investigação, o parlamentar teria atuado para direcionar recursos públicos para a locação e reforma de um galpão abandonado com o objetivo de transformá-lo em escola, mesmo existindo uma unidade escolar pronta nas proximidades. O imóvel investigado funcionava anteriormente como uma concessionária e pertence a um empresário de São Paulo.
Segundo os investigadores, o dinheiro público teria sido utilizado para custear o aluguel do espaço e obras de adaptação. O imóvel está localizado no Setor de Motéis da Candangolândia e teria sido escolhido para abrigar o Centro de Ensino Fundamental 01 da Candangolândia e a sede da Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante.
As apurações apontam que o deputado Hermeto teria tido papel central na articulação do esquema. O relatório do Ministério Público indica que o parlamentar intermediou contato direto com o então secretário de Educação João Pedro Ferraz dos Passos para garantir a assinatura de um contrato considerado fraudulento.
Segundo os investigadores, o deputado também teria exercido influência para que o processo administrativo avançasse mesmo diante de irregularidades apontadas durante a tramitação.
Para justificar a mudança da escola para o imóvel alugado, a então coordenadora regional de ensino do Núcleo Bandeirante teria iniciado o processo administrativo alegando que o prédio público original estava em condições precárias e condenado à demolição. No entanto, de acordo com o Ministério Público, não havia laudo técnico que comprovasse essa situação.
Outros servidores da Secretaria de Educação teriam apoiado a justificativa e dado continuidade ao procedimento que resultou na contratação do imóvel privado.
Segundo os investigadores, mais de cinco anos após a mudança, o mesmo prédio público originalmente utilizado pela escola passou a ser alvo de um contrato de reforma firmado em 2025 no valor aproximado de R$ 12 milhões. Somado aos cerca de R$ 19 milhões gastos com aluguel do imóvel privado ao longo do período, o valor total, segundo o Ministério Público, poderia ter sido suficiente para reformar o prédio original por um custo menor.
A equipe do deputado foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre as acusações. O governo do Distrito Federal também não comentou o caso até o momento. A atual secretária de Educação não é alvo da investigação.
Fonte: Com informações da CNN