Sejus destina recursos a associação presidida por servidor da própria pasta
Pasta comandada por Carlos Augusto já enfrenta problemas relacionados a denúncias de torturas
Uma denúncia recebida com exclusividade aponta um caso grave envolvendo a Secretaria de Justiça do Piauí. Sob o comando do deputado licenciado Cel. Carlos Augusto, a pasta estaria destinando valores elevados à ASAD, a Assistência Social da Assembleia de Deus, entidade presidida por Francisco de Sena Santos, identificado como servidor contratado da própria Sejus.
As informações obtidas pela reportagem indicam um cenário que levanta suspeitas sobre a legalidade e, principalmente, sobre a moralidade administrativa do repasse. Isso porque a entidade beneficiada é comandada por uma pessoa vinculada à estrutura da própria secretaria responsável pela destinação dos recursos, o que abre margem para questionamentos sobre favorecimento, conflito de interesses e possível direcionamento.
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A gravidade do caso se intensifica pelo fato de o dirigente da associação, segundo a denúncia, ocupar cargo contratado na Sejus, sem vínculo efetivo por concurso público. Na prática, trata-se de uma relação política e administrativa que, em tese, poderia facilitar a influência interna e comprometer a impessoalidade exigida no uso do dinheiro público.
Mas o ponto mais explosivo revelado na denúncia é a situação da sede da própria associação. Imagens e relatos recebidos pela reportagem mostram que o imóvel está abandonado, tomado pelo mato e sem sinais aparentes de funcionamento. O quadro contrasta diretamente com a destinação de recursos públicos e aprofunda as dúvidas sobre a real capacidade operacional da entidade para executar qualquer atividade social compatível com os repasses.
A denúncia levanta uma sequência de perguntas que exigem resposta imediata das autoridades. Qual foi o critério adotado pela Sejus para beneficiar a ASAD? Que tipo de serviço a associação presta ou deveria prestar? E de que forma foi analisado o evidente impedimento moral de repassar dinheiro público a uma instituição presidida por um servidor da própria pasta?
A reportagem apurou ainda que o caso tem potencial para se transformar em mais um escândalo administrativo, justamente por reunir elementos clássicos de suspeita: proximidade entre beneficiário e órgão repassador, possível uso político da máquina pública e uma entidade que, ao menos pela aparência de sua sede, não demonstra atividade compatível com o volume de recursos que estaria recebendo.
Outro aspecto delicado é que a associação usa um nome ligado à Assembleia de Deus, instituição religiosa historicamente reconhecida e respeitada, mas que nos últimos dias tem sido destino principal destino de agendas do então secretário da pasta, deputado licenciado, Cel. Carlos Augusto.
A denúncia, no entanto, não atinge a igreja em si, mas sim a utilização de uma entidade vinculada a esse universo em uma operação que agora passa a ser questionada sob a ótica da legalidade, da moralidade e da transparência.
Diante da gravidade das informações, o caso reclama apuração rigorosa pelos órgãos de controle. Se confirmada, a destinação de recursos a uma associação presidida por servidor contratado da própria secretaria poderá expor não apenas uma escolha administrativamente temerária, mas um arranjo incompatível com os princípios mais básicos da administração pública.
No alvo de uma possível crise que dificilmente será contida com notas genéricas, a Sejus precisa responder aos questionamentos, sobretudo no que diz respeito ao envolvimento de uma instituição séria, como a Assembleia de Deus. O caso exige documentos, prestação de contas e explicações objetivas. Porque, quando o dinheiro público chega a uma entidade ligada a quem está dentro da própria estrutura da pasta e a sede dessa entidade aparece abandonada, o discurso institucional perde força e a suspeita ganha corpo.
Fonte: Portal AZ