Vorcaro busca provas inéditas para validação de delação

Ex-banqueiro negocia delação com STF sob critérios rigorosos

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro está em um processo crucial para que sua delação premiada seja aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para que o acordo avance, ele precisa apresentar provas inéditas e indicar formas de recuperar os valores desviados. Apenas reforçar as evidências já coletadas em operações de busca e apreensão não será suficiente para conquistar benefícios como a liberdade.

A homologação do acordo de delação não está garantida e depende do cumprimento de critérios rigorosos. Os investigadores deixaram claro que, se Vorcaro omitir informações ou fornecer apenas dados já contidos nos 111 celulares apreendidos, o acordo não será aceito.

A defesa de Vorcaro está em negociações simultâneas com a Procuradoria Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. No entanto, se não houver consenso entre essas instituições, a possibilidade de colaboração pode ser comprometida. Espera-se que as discussões se estendam por pelo menos três meses antes de serem apresentadas ao relator do caso, ministro André Mendonça, no STF.

Nas etapas iniciais das negociações, os advogados de Vorcaro indicaram que ele "não pouparia ninguém", uma mudança significativa após a resistência inicial do ex-banqueiro em envolver magistrados do STF, o que havia gerado insatisfação entre os investigadores.

Apesar de sua colaboração, Vorcaro, considerado líder do esquema criminoso, não terá direito a perdão judicial ou penas brandas. Os benefícios obtidos com a delação deverão se restringir à melhoria das condições de custódia ou à redução da pena de prisão.

Na última quinta-feira, dia 19, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade e agora precisa confessar seus crimes e sustentar sua narrativa com evidências sólidas.

Entre os citados nas conversas obtidas nos celulares de Vorcaro estão os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Moraes teria trocado mensagens com Vorcaro no dia da prisão do ex-banqueiro, enquanto Toffoli deixou a relatoria do caso após revelações sobre o envolvimento de uma de suas empresas com o Banco Master.

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