Durigan assume Fazenda com pressão fiscal e desafios herdados da gestão Haddad

Novo ministro enfrenta déficit, pressão por gastos e desafio de manter credibilidade fiscal

Por Dominic Ferreira,

Há poucos dias no comando do Ministério da Fazenda (Brasil), o ministro Dario Durigan assumiu a equipe econômica em um cenário de forte pressão sobre as contas públicas. Ele herda desafios estruturais da gestão do ex-ministro Fernando Haddad, além de demandas emergenciais típicas de um período eleitoral, como a necessidade de equilibrar responsabilidade fiscal e medidas de impacto social.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasilok
Dario Durigan

Entre as primeiras decisões, Durigan anunciou o bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026 para tentar garantir o cumprimento das regras do novo arcabouço fiscal. Mesmo assim, especialistas apontam que o valor é considerado limitado diante das necessidades fiscais. O governo projeta superávit primário de R$ 3,5 bilhões, mas admite que, ao considerar precatórios e despesas fora do teto, o resultado pode chegar a um déficit de R$ 59,8 bilhões.

Ao mesmo tempo, o ministro trabalha em medidas emergenciais, como a proposta de subsídio ao diesel importado, estimado em R$ 1,20 por litro, com custo total de cerca de R$ 3 bilhões divididos entre União e estados. A medida, que depende de articulação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca conter o impacto da alta internacional dos combustíveis. Outra frente envolve políticas para reduzir a inadimplência das famílias brasileiras, que já compromete mais de 27% da renda mensal, segundo o Banco Central do Brasil.

Especialistas apontam que o principal desafio será recuperar a credibilidade fiscal do país. Para a economista Virene Matesco, da Fundação Getulio Vargas, o crescimento da dívida pública, atualmente em 78,7% do PIB, e a dificuldade de cumprir metas fiscais afetam a confiança do mercado. Já o economista André Nassif, da Universidade Federal Fluminense, avalia que o novo ministro terá como missão equilibrar o ajuste das contas públicas com a necessidade de estimular o crescimento econômico e ampliar investimentos. 

Fonte: Agência Brasil

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