PF aponta repasses de R$ 35 milhões e relação entre Toffoli e Vorcaro

Relatório cita encontros, ligações e possível ligação do ministro com fundo ligado ao banco

Por Redação,

Um relatório sigiloso da Polícia Federal aponta suspeitas de relação financeira e pessoal entre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento, com quase 200 páginas, foi elaborado a partir de informações extraídas do celular de Vorcaro, apreendido no fim de 2025, e enviado ao Supremo há cerca de sete meses. Segundo o relatório, investigadores identificaram elementos que levantariam a hipótese de que Toffoli poderia ter sido beneficiário final ou proprietário de fato do Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Arleen. 

Foto: Luiz Roberto/TSEOk

De acordo com a investigação, o fundo recebeu ao menos R$ 35 milhões de Vorcaro e teve ativos posteriormente transferidos para uma holding localizada nas Ilhas Virgens Britânicas. O Arleen era sócio do Tayayá Aqua Resort, empreendimento em Ribeirão Claro, no Paraná, que pertence a Toffoli e familiares. A PF identificou mudanças na estrutura financeira do fundo e apontou que, no fim de 2025, a propriedade formal passou para Alberto Leite, empresário e amigo do ministro. O relatório ressalta, porém, que as informações ainda demandavam aprofundamento e não apresentavam conclusões definitivas. 

Outra frente citada pelos investigadores envolve possíveis interferências relacionadas a julgamentos do STF sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. O Banco Master mantinha uma carteira superior a R$ 10 bilhões relacionada ao tema e tinha interesse no resultado de uma ação envolvendo a usina Alcídia e a União. Segundo as mensagens analisadas pela PF, Toffoli teria adotado inicialmente uma posição diferente de seu entendimento anterior em um processo semelhante envolvendo a Raízen, mas posteriormente retornado à posição favorável à tese da usina contra a União. As conversas entre Vorcaro e seus interlocutores registraram preocupação com o julgamento e, depois, comemoração com o resultado.

O relatório também contabilizou ao menos 12 encontros presenciais planejados ou realizados entre Toffoli e Vorcaro entre o fim de 2023 e o início de 2025, além de 167 ligações por aplicativo entre os dois aparelhos. O gabinete do ministro negou irregularidades, afirmou que Toffoli nunca manteve recursos no exterior nem realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas e rejeitou a existência de alteração indevida de voto. Segundo a publicação, o relatório foi analisado pelos ministros do STF e acabou arquivado após uma reunião sigilosa da Corte. 

Fonte: Correio Braziliense

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