Filho de Nunes Marques é citado em mensagens de Vorcaro e tem grandes clientes
Advogado recebeu R$ 281,6 mil de consultoria que teve pagamentos do Banco Master
O advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), é citado em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Aos 26 anos, Kevin atua na área de Direito Tributário e passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em fevereiro de 2024. Desde então, passou a representar clientes em processos na Justiça Federal, entre eles os grupos Refit e Petrópolis. As informações sobre os pagamentos e a relação profissional com a consultoria foram divulgadas com base em documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e reportagens jornalísticas.
As mensagens de agosto de 2025 mostram o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, informando a Vorcaro sobre um pagamento que estaria faltando à empresa Consult Inteligência Tributária. A conversa ocorreu depois de Vorcaro encaminhar a Rennó o nome e o contato de Kevin. Segundo levantamento divulgado em março, a Consult transferiu R$ 281,6 mil ao advogado em 11 operações entre agosto de 2024 e julho de 2025. No mesmo período, dados citados em relatório do Coaf apontam que a consultoria recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. A assessoria de Kevin afirma que ele nunca prestou serviços ao Master nem recebeu valores de Vorcaro, mas confirmou a prestação de serviços jurídicos especializados à Consult.
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Outro diálogo, de julho de 2025, registra Rennó perguntando a Vorcaro se deveria manter um repasse mensal de R$ 500 mil ao advogado. A reportagem também aponta que o sócio-administrador da Consult é pai do sócio de Kevin em outra empresa, o Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT), aberto em novembro de 2024 e registrado no mesmo endereço da consultoria, em Barueri, na Grande São Paulo. A defesa do advogado afirma que o instituto ainda está em fase de estruturação e não realizou operações ou movimentações financeiras. Kevin também já apresentou atuação em processos envolvendo empresas como a Refit, em uma ação relacionada à interdição determinada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pela Receita Federal.
O caso ganhou repercussão após Nunes Marques se declarar impedido de participar de um julgamento que discutiria a autorização para investigar a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na ocasião, o ministro afirmou que a decisão tinha como objetivo não impactar o cenário político-eleitoral, em razão de sua condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Durante a sessão, Nunes Marques também defendeu o filho e negou envolvimento com o dono do Banco Master. A assessoria de Kevin sustenta que sua atuação profissional é regular, com procurações e peticionamentos nos processos, e que segue as regras de impedimento e suspeição.
Fonte: O Globo