Adultização infantil nas redes segundo especialistas é ameaça à saúde mental

Fenômeno da exposição precoce em plataformas digitais impacta autoestima, relações sociais e desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes

Por Carlos Sousa,

O recente vídeo do youtuber Felca, que ultrapassou 44 milhões de visualizações, reacendeu um debate urgente: a adultização infantil e os riscos da exposição precoce de crianças e adolescentes nas redes sociais. A repercussão do conteúdo trouxe à tona preocupações que vão além de casos isolados, apontando para os efeitos da cultura digital no desenvolvimento psicológico e emocional de jovens.

Foto: ReproduçãoAdultização

De acordo com o psicólogo Ítalo Silva, coordenador do curso de Psicologia da Estácio, a questão envolve não apenas o consumo de conteúdos inapropriados, mas também a forma como a internet molda comportamentos e expectativas. “Estamos diante de uma geração que cresce imersa em telas e redes. A cultura digital traz oportunidades, mas também riscos, como a erotização precoce e a pressão por se encaixar em padrões de comportamento adulto. Isso pode afetar diretamente a saúde mental de crianças e adolescentes, gerando ansiedade, baixa autoestima e dificuldades nas relações sociais”, afirma.

A exposição a conteúdos sexualizados em idade precoce, segundo o especialista, pode impactar o desenvolvimento emocional e naturalizar práticas para as quais os jovens não estão preparados. Outro ponto de atenção é quando a produção de conteúdo perde seu caráter lúdico e passa a seguir a lógica de engajamento e validação social, transformando o momento de diversão em uma fonte de estresse.

Entre os sinais de alerta para pais e responsáveis estão mudanças bruscas de comportamento, isolamento, desinteresse por atividades presenciais e aumento da ansiedade. Esses indícios podem demonstrar que o uso das redes está ultrapassando o limite saudável.

Silva reforça que o acompanhamento e o diálogo são essenciais para reduzir riscos. “As redes sociais podem ser parte da vida, mas não podem substituir a convivência familiar, a escola e as brincadeiras presenciais. O equilíbrio é o que garante saúde mental”, explica.

O debate insere-se em uma realidade cada vez mais presente: o papel da cultura digital na construção da identidade de crianças e adolescentes. Para especialistas, cabe às famílias o desafio de orientar o uso responsável da internet, conversar sobre sexualidade de forma adequada à idade e, sobretudo, garantir presença ativa no cotidiano dos filhos.

Fonte: Ícone Comunicação

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