Caso da morte de fisiculturista acende alerta sobre efeitos dos anabolizantes
Especialistas destacam riscos cardíacos e defendem busca por acompanhamento adequado
A morte do influenciador fitness e fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, voltou a chamar atenção para os riscos associados ao uso indiscriminado de esteroides anabolizantes. O caso reacendeu discussões sobre os impactos dessas substâncias no organismo, especialmente no sistema cardiovascular, e levantou questionamentos sobre os limites entre desempenho físico, estética e preservação da saúde. Especialistas destacam que o uso excessivo de hormônios pode provocar complicações graves e, em alguns casos, levar à morte precoce.
Segundo o cardiologista e professor do IDOMED, Herbert Lima Mendes, o consumo de anabolizantes em doses elevadas pode causar alterações importantes no coração. Ele explica que, assim como os músculos esqueléticos aumentam de tamanho, o músculo cardíaco também pode sofrer crescimento excessivo, condição conhecida como hipertrofia cardíaca. Entre as consequências está a cardiomiopatia hipertrófica, doença caracterizada pelo espessamento anormal das paredes do coração, dificultando o bombeamento de sangue e aumentando o risco de insuficiência cardíaca e morte súbita.
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O professor de Educação Física da Wyden e mestre em Ciências Fisiológicas, Guilherme Lisboa, ressalta que o fisiculturismo envolve exigências estéticas específicas, mas alerta que a elevação artificial dos níveis hormonais pode comprometer diversas funções do organismo. De acordo com ele, quando hormônios como a testosterona são utilizados em concentrações muito acima das naturalmente produzidas pelo corpo, há maior probabilidade de surgirem efeitos colaterais que afetam diferentes sistemas, incluindo o cardiovascular, o hepático e o metabólico.
Os especialistas também reforçam que o desenvolvimento muscular pode ser alcançado de forma saudável por meio de treinamento adequado, alimentação equilibrada e acompanhamento profissional. Alertam também para um comportamento comum entre usuários de anabolizantes, conhecido como “Síndrome do Super-Homem”, em que a pessoa acredita estar imune aos riscos associados ao uso dessas substâncias. A orientação é que qualquer estratégia voltada ao ganho de desempenho físico seja conduzida com responsabilidade, priorizando a saúde e respeitando os limites individuais de cada organismo.
Fonte: Ícone Comunição