Proteína pouco conhecida pode abrir caminho para tratamento da doença de Chagas
Estudo da USP mostrou que reduzir a IP6K compromete a capacidade do parasita de infectar células
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradores identificaram uma proteína que pode se tornar alvo para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a doença de Chagas. Em experimentos de laboratório, o grupo reduziu a produção da proteína IP6K no Trypanosoma cruzi, parasita causador da doença, e observou prejuízos no ciclo de infecção. O estudo mostrou que, com níveis reduzidos da molécula, o parasita apresentou dificuldade para se diferenciar em sua forma infectante dentro de células cardíacas humanas. Os resultados foram publicados em agosto na revista científica Communications Biology.
Segundo Thaise Lara Teixeira, coautora da pesquisa, os parasitas modificados ainda conseguiram entrar nas células e se replicar, mas tiveram dificuldade para completar a diferenciação necessária para produzir novas formas infectantes. Com isso, a quantidade de formas sanguíneas do T. cruzi diminuiu a cada novo ciclo de infecção intracelular. Os pesquisadores também encontraram evidências da importância da IP6K ao tentar eliminar completamente o gene responsável pela produção da proteína. Quando as duas cópias foram retiradas por edição genética, os parasitas não sobreviveram em laboratório, impedindo a realização dos testes com células cardíacas.
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Por essa razão, os experimentos foram realizados com parasitas que mantinham uma cópia do gene da IP6K. A pesquisa envolveu cientistas da USP e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além de análises realizadas na Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos. O trabalho foi desenvolvido durante o mestrado de Bryan Etindi Abuchery, que atualmente cursa doutorado no Instituto de Química da USP. A investigação buscou compreender melhor a função da proteína em uma via de sinalização celular ainda pouco explorada no T. cruzi.
Outro aspecto considerado relevante pelos pesquisadores é a baixa semelhança entre a IP6K do parasita e a proteína correspondente em seres humanos. De acordo com o estudo, a similaridade é de aproximadamente 25%, característica que pode favorecer, em futuras pesquisas, o desenvolvimento de tratamentos capazes de atingir o parasita com menor possibilidade de interferir nas funções das células humanas. Apesar dos resultados promissores, a descoberta ainda está em fase experimental e são necessários novos estudos para avaliar se a proteína poderá, de fato, ser utilizada como alvo de uma terapia contra a doença de Chagas.
Fonte: Com informações da Agência Fapesp