Veja mudanças da reforma tributária no Senado; Brasil vence Canadá

Relator ampliou exceções e fundo regional

reforma
Principais mudanças na reforma tributária no Senado

A reforma tributária no Senado entrou em uma fase decisiva com a apresentação, na quarta-feira (25), do parecer a ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Entregue pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator da proposta, o texto deve ser votado até 7 de novembro na comissão, segundo as estimativas iniciais.

O parecer manteve a maior parte da proposta para simplificar e reformular os tributos sobre o consumo, aprovada no início de julho pela Câmara dos Deputados, como a unificação de tributos federais na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e dos tributos estaduais e municipais no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), e a cobrança no destino (local do consumo), com uma regra de transição longa para os tributos regionais e rápida para os tributos federais.

O texto, no entanto, trouxe alterações. De 663 emendas apresentadas no Senado, Braga acolheu, parcialmente ou totalmente, 183. As principais foram a criação de uma trava para a carga tributária (peso dos tributos sobre a economia), a revisão periódica dos setores incluídos em regimes específicos de tributação, a ampliação do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) e a inclusão de serviços de profissionais liberais na alíquota reduzida de CBS e de IBS.

Confira as principais mudanças:

Trava

• Teto para manter constante a carga tributária sobre o consumo;

• Atualmente, esse teto corresponderia a 12,5% do PIB;

• A cada 5 anos, seria aplicada uma fórmula que considera a média da receita dos tributos sobre consumo e serviços entre 2012 e 2021;

• Fórmula será calculada com base na relação entre a receita média e o Produto Interno Bruto (PIB, bens e serviços produzidos no país);

• Caso o limite seja superado, a alíquota de referência terá de cair;

• Redução seria calculada pelo Tribunal de Contas da União, baseado em dados dos entes federativos e do futuro Comitê Gestor do IBS.

Regimes diferenciados

• Inclusão dos seguintes setores em regimes diferenciados de tributação:

– operações relativas a tratados internacionais;

– saneamento e concessão de rodovias;

– compartilhamento de serviços de telecomunicações;

– agências de viagem e turismo;

– transporte coletivo rodoviário (intermunicipal e interestadual), ferroviário, hidroviário e aéreo.

• Retomada dos benefícios fiscais ao setor automotivo até 2025:

– em julho, a Câmara havia rejeitado prorrogação de incentivos;

– benefícios seriam convertidos em crédito presumido da CBS, crédito que dá direito a desconto no pagamento de impostos futuros.

• Revisão a cada 5 anos dos regimes especiais:

– setores beneficiados deverão seguir metas de desempenho econômicas, sociais e ambientais;

– dependendo da revisão, lei determinará regime de transição para a alíquota padrão.

• Manutenção dos produtos e insumos agropecuários entre itens com alíquota reduzida.

Profissionais liberais

• Serviços prestados por profissionais liberais - como advogados, médicos, dentistas, arquitetos e demais profissionais do tipo - terão desconto de 30% na alíquota;

• Na prática, a mudança beneficia apenas empresas, escritórios e clínicas que faturem mais de R$ 4,8 milhões por ano. Isso porque a maior parte dos profissionais autônomos, que ganham abaixo desse valor, está incluída no Simples Nacional.

Cesta básica

• Restrição do número de produtos com alíquota zero, com desmembramento em duas listas:

– cesta básica nacional, com alíquota zero, e caráter de enfrentamento à fome;

– cesta básica estendida, com alíquota reduzida para 40% da alíquota padrão e mecanismo de cashback (devolução parcial de dinheiro);

– cesta nacional poderá ser regionalizada, com itens definidos por lei complementar.

Cashback na conta de luz

• Devolução obrigatória de parte dos tributos na conta de luz para família de baixa renda;

• Ressarcimento ocorreria no momento da cobrança, entrando como desconto na conta de luz;

• Detalhes a serem regulamentados por lei complementar.

Imposto seletivo

• Cobrança sobre produtos que gerem danos à saúde ou ao meio ambiente;

• Alíquotas definidas por lei;

• 60% da receita vai para estados e municípios;

• Princípio da anualidade: cobrança só poderá começar no ano seguinte à sanção da lei;

• Imposto regulatório: não tem objetivo de arrecadar, mas regular mercado e punir condutas prejudiciais;

• Produtos:

– possibilidade de cobrança sobre combustíveis;

– alíquota de 1% sobre extração de recursos naturais não renováveis, como minério e petróleo;

– cobrança armas e munições, exceto as usadas pela administração pública;

• Exclusão da incidência sobre:

– telecomunicações;

– energia;

– produtos concorrentes com os produzidos na Zona Franca de Manaus.

Zona Franca de Manaus

• A Câmara tinha incluído o imposto seletivo sobre produtos concorrentes de fora da região para manter competitividade da Zona Franca;

• Relator trocou o imposto seletivo por Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional

• Fundo que ajudará o desenvolvimento de regiões de menor renda;

• Aumento da verba de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões anuais;

• Transição para o aumento:

– Fundo começaria com aportes de R$ 8 bilhões em 2029 até chegar a R$ 40 bilhões no início de 2034;

– Em 2034, aportes subiriam R$ 2 bilhões por ano até atingir R$ 60 bilhões em 2043.

• Divisão dos recursos:

– 70% pelos critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE);

– 30% para estados mais populosos.

Limites a unidades da Federação

• Mantido artigo incluído de última hora na Câmara que autoriza estados e Distrito Federal a criar contribuição sobre produtos primários e semielaborados para financiar infraestruturas locais;

• Restrições:

– Permissão apenas a fundos estaduais em funcionamento em 30 de abril de 2023

– Com a regra, apenas Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará poderão manter contribuição;

– Contribuição só poderá ser cobrada até 2032, para evitar nova guerra fiscal.

Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais

• Seguro-receita para compensação da perda de arrecadação dos entes federativos com o fim de incentivos fiscais sobe de 3% para 5% do IBS;

• Mudança atende a pedido dos estados;

• Critérios de repartição:

– estados e municípios com maior perda relativa (em termos percentuais) de arrecadação;

– receita per capita (por habitante) do fundo não pode exceder três vezes a média nacional, no caso dos estados, e três vezes a média dos municípios de todo o país, no caso das prefeituras.

Comitê Gestor

• Encarregado de gerir a cobrança e a arrecadação do IBS, Conselho Federativo foi rebatizado de Comitê Gestor;

• Órgão passará a ter caráter exclusivamente técnico, assegurando divisão correta dos recursos, sem capacidade de propor regulações ao Legislativo;

• Presidente do Comitê Gestor terá de ser sabatinado pelo Senado.

Seleção Brasileira feminina derrota Canadá 

canada
Debinha marcou o único gol da partida

Na estreia do técnico Arthur Elias, a Seleção Brasileira Feminina venceu o Canadá por 1 a 0 em amistoso realizado neste sábado (28) no Estádio Saputo, em Montreal, no Canadá.

O jogo faz parte da preparação da equipe para a disputa da Olimpíada de Paris de 2024.

Debinha marcou o único gol da partida, aos 48 minutos do segundo tempo, premiando a equipe que buscou o ataque o tempo todo, criando várias chances.

O jogo teve um atrativo a mais: Marta e Cristiane jogaram juntas, fato que não se dava desde fevereiro de 2021.

Após um começo equilibrado, com um pouco mais de ímpeto do Canadá, a equipe de Arthur Elias se ajustou e mudou o panorama.

Dos 23 aos 31 minutos de jogo, a Seleção levou perigo quatro vezes ao gol do Canadá. Numa delas, bastava a Tamires escorar cruzamento de Adriana para marcar.

Em outra chance, Adriana acertou um belo chute de fora da área e obrigou a goleira Sheridan a se esticar toda para evitar o gol.

Cristiane saiu no intervalo. Deu a vaga para Gabi Nunes.

Já Marta deixaria o campo aos 13 minutos do segundo tempo, substituída por Bia Zaneratto. Em reconhecimento à história da principal jogadora do futebol feminino, o público do Estádio Saputo aplaudiu Marta de pé. Ela retribuiu com um gesto de agradecimento.

A Seleção imprimia ritmo forte e quase abriu o placar com Debinha, que havia entrado na vaga de Geyse. De novo, a goleira Sheridan surgiu para fazer a defesa.

Melhor em campo, Sheridan brilharia outras vezes, em finalizações de Ary Borges e novamente de Debinha. A Seleção sobrava no segundo tempo, muito superior às anfitriãs.

O placar poderia ter saído do zero antes do gol de Debinha se a árbitra tivesse marcado pênalti de Jade Rosa, que caiu na área de sua seleção com o braço direito em cima da bola, depois de uma boa jogada da própria Debinha pela esquerda.

Como o amistoso não dispunha de VAR, o jogo seguiu, apesar da reclamação das atletas brasileiras.

Mas a Seleção não desistiu de tentar, de acreditar, de buscar a vitória. Pressionou as canadenses e, nos acréscimos, recuperou uma bola em saída equivocada do time adversário.

Na sequência, Debinha chutou forte, de fora da área, a bola resvalou em duas defensoras e, dessa vez, não deu para Sheridan fazer nada. Merecida vitória da Seleção Brasileira.

Na terça-feira (31), as duas seleções voltam a se enfrentar na cidade de Halifax, no mesmo país.

O Brasil venceu o Canadá com a seguinte formação: Letícia; Antônia, Lauren, Rafaelle e Tamires; Luana (Angelina), Ary Borges (Duda Sampaio) e Marta (Bia Zaneratto); Adriana (Gabi Portilho), Cristiane (Gabi Nunes) e Geyse (Debinha).

Fonte:  Agência Brasil / CBF

Pensamento do dia
Pensamento do dia

Comente

Pequisar