Governo quer reverter sobretaxa dos EUA antes de 1º de agosto e evitar conflito

Alckmin lidera negociações para suspender tarifas americanas que afetam exportações

Por Dominic Ferreira,

O governo brasileiro iniciou uma série de reuniões com o setor produtivo para traçar estratégias de reação às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que passam a valer em 1º de agosto. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, conduziu os encontros e afirmou que o país tentará reverter a sobretaxa até o fim deste mês. Caso não haja avanços, o governo pode solicitar prorrogação do prazo para as negociações.

Foto: Cadu Gomes/VPRNa sede do Mdic, Alckmin escuta pleitos do setor produtivo para adiamento de tarifas dos EUA
Na sede do Mdic, Alckmin escuta pleitos do setor produtivo para adiamento de tarifas dos EUA

Os encontros, realizados na sede do MDIC, reuniram representantes da indústria e do agronegócio, setores fortemente afetados pela medida. Alckmin destacou a importância de uma mobilização bilateral, ressaltando que as exportações entre Brasil e EUA cresceram significativamente em 2025, e classificou a imposição das tarifas como “totalmente incompreensível”. O comitê interministerial criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordena a resposta brasileira, envolvendo diversos ministérios para construir uma reação unificada.

Enquanto o governo busca uma solução negociada, o setor produtivo tem se posicionado a favor da cautela. Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), enfatizou que o Brasil não pretende reagir de forma precipitada ou com retaliações imediatas, buscando diálogo e entendimento para evitar uma escalada da disputa comercial. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também demonstrou confiança na capacidade diplomática brasileira para superar o impasse.

O agronegócio, responsável por grande parte das exportações para os EUA, é uma das áreas mais preocupadas com as tarifas, especialmente devido à perecibilidade dos produtos e cargas já embarcadas. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, criticou a taxação de alimentos, chamando-a de erro diante da insegurança alimentar global. Representantes do setor de carnes alertaram sobre o impacto imediato da sobretaxa, com frigoríficos reduzindo a produção destinada aos EUA devido à incerteza, o que pode comprometer cerca de US$ 150 a 160 milhões em exportações já em trânsito.

Fonte: Correio Braziliense

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