Tarifa de 50% dos EUA pode tirar R$ 175 bi da economia e 1,3 milhão de empregos
Medida afeta agronegócio, indústria e exportações e ameaça o crescimento do PIB brasileiro
A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelos Estados Unidos e prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, poderá provocar perdas de até R$ 175 bilhões na economia do Brasil. Segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o impacto direto seria uma retração de 1,49% no Produto Interno Bruto (PIB) e a eliminação de mais de 1,3 milhão de empregos em todo o país. O alerta reacende o debate sobre a importância de uma resposta diplomática estratégica para preservar os avanços econômicos conquistados.
Caso o Brasil decida retaliar com a mesma intensidade, impondo tarifas de 50% sobre produtos norte-americanos, os danos podem ser ainda mais profundos: queda de R$ 259 bilhões no PIB, redução de R$ 36 bilhões na massa salarial e perda de quase 1,9 milhão de postos de trabalho. O estudo aponta ainda que o prejuízo na arrecadação tributária pode ultrapassar os R$ 7 bilhões. A FIEMG destaca que esse caminho seria arriscado e poderia acentuar ainda mais a inflação, além de prejudicar cadeias produtivas essenciais.
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O impacto atinge setores estratégicos da economia nacional, como agronegócio, siderurgia e indústria de transformação — altamente dependentes das exportações e que sustentam milhares de empregos diretos e indiretos. Para as empresas desses segmentos, a medida compromete a competitividade global, eleva custos operacionais e abre margem para cancelamentos de contratos e perdas comerciais. Com exportações aos EUA em 2024 na casa dos US$ 40,4 bilhões, o país é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.
Economistas e empresários alertam que, além da queda nas exportações, o tarifação ameaça o consumo interno, os investimentos e o crédito, afetando diretamente o dia a dia da população. "Retaliações podem parecer firmes, mas aprofundam incertezas e prejudicam quem empreende em um cenário já instável", afirmou Theo Braga, CEO da SME The New Economy. O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, defende o diálogo como alternativa à crise: "Ambos os países têm a perder. O caminho mais inteligente é a diplomacia".
Fonte: Correio Braziliense