Geração Z rejeita CLT e pressiona por modelos flexíveis de trabalho

Jovens priorizam propósito e bem-estar, e desafiam empresas e leis a se adaptarem rápido

Por Dominic Ferreira,

A Geração Z, composta por jovens entre 18 e 27 anos, está mudando drasticamente a relação com o trabalho e desafiando o modelo tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Em busca de mais flexibilidade, propósito e benefícios personalizados, esses profissionais têm optado por regimes como PJ, freelancer e remoto, o que força empresas e o Estado a repensarem os padrões estabelecidos. Apesar da aparente informalidade, essa geração é a que mais elevou suas exigências salariais e por benefícios nos últimos anos, como aponta uma pesquisa da consultoria Robert Half.

Foto: PacíficoGeração Z
Geração Z

Além da remuneração, a Geração Z quer ambientes diversos, líderes com perfil de coach, políticas de escuta ativa e bem-estar emocional. Para a psicóloga Mônica Ramos, a adaptação é inevitável: “As empresas precisarão flexibilizar jornadas e criar ambientes em que o colaborador se sinta ouvido e valorizado”. Especialistas também defendem a criação de mecanismos legais que protejam esses profissionais mesmo fora da CLT, como planos de saúde, licença remunerada e aposentadoria.

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O movimento, no entanto, gera um dilema. Enquanto os jovens reivindicam liberdade e autonomia, a falta de vínculo formal os deixa expostos à precarização. “Estamos diante de uma encruzilhada”, afirma a advogada Ana Paula Magalhães. “Ou modernizamos a proteção social, ou corremos o risco de ampliar desigualdades.” Para o economista Otto Nogami, esse novo cenário exige uma reforma urgente nas políticas de previdência e nas leis trabalhistas para atender a uma geração mais conectada, imediatista e digital.

As empresas que compreenderem esse novo perfil tendem a sair na frente na atração de talentos. Para o especialista Leonardo Loureiro, será preciso oferecer mais que salário: “A CLT precisa ser redesenhada para permitir jornadas híbridas, benefícios sob demanda e mais foco em saúde mental e aprendizado contínuo”. A Geração Z sinaliza que o futuro do trabalho não cabe mais nos moldes do passado — e tanto o setor público quanto o privado terão que correr para acompanhar esse ritmo.

Fonte: Correio Braziliense

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