Bolsa cai e dólar sobe com temor de tarifaço de Trump contra o Brasil
Sobretaxa de 50% deve ser mantida e pressiona mercados mesmo com Copom e Fed estáveis
A semana começou com forte tensão nos mercados financeiros brasileiros, puxada pela expectativa negativa em torno da sobretaxa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil. Apesar das previsões de estabilidade nas decisões do Copom e do Fed, que devem manter os juros inalterados nesta quarta-feira (30), o temor em relação à manutenção do tarifaço promovido por Donald Trump tem derrubado o Ibovespa e elevado a cotação do dólar frente ao real.
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Enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a Selic em 15% ao ano, sinalizando o fim do ciclo de alta iniciado em 2024, o mercado já considera o impacto do agravamento da guerra comercial entre Brasil e EUA. O Índice Bovespa caiu 1,04%, encerrando o dia a 132.129 pontos, o pior patamar desde abril. O dólar comercial avançou 0,5%, chegando a R$ 5,899, puxado pelo receio de que Trump não recue da medida tarifária, como já fez em acordo com a União Europeia.
A queda na bolsa foi generalizada, afetando especialmente as ações mais negociadas. As preferenciais do Itaú Unibanco e as ordinárias da Ambev recuaram 1,99% e 3,04%, respectivamente. Já a Karsten liderou as perdas com queda de 11,40%, seguida por Camil, Banco de Brasília e Taurus, que também apresentaram fortes recuos. No caso da Taurus, o tombo de 7,87% foi atribuído à declaração da empresa, que cogita transferir a produção para os EUA caso não haja acordo comercial.
Mesmo com a inflação oficial — medida pelo IPCA — ficando em 4,45%, abaixo do teto da meta, o risco cambial se tornou a maior preocupação do momento, segundo o economista Leonardo Costa, da ASA. Ele acredita que o Copom manterá os juros altos até dezembro, em um cenário em que o real pode continuar sofrendo com a volatilidade. Em Nova York, as bolsas apresentaram sinais mistos, demonstrando o alívio na Europa com a redução tarifária, mas mantendo a cautela em relação aos desdobramentos com o Brasil.
Fonte: Correio Braziliense