Brasil lidera produção de soja, mas enfrenta prejuízos com modelo agrícola atual

Uso excessivo de químicos eleva custos, reduz lucro e ameaça sustentabilidade no campo

Por Dominic Ferreira,

O Brasil se consolidou como líder mundial na produção de soja, mas esse posto tem custado caro para produtores e para o meio ambiente. Estudo publicado pelo Instituto Escolha revela que o modelo de produção agrícola adotado no país gera graves impactos econômicos e ambientais, colocando em xeque sua sustentabilidade.

Foto: ReproduçãoExportação de soja

A pesquisa mostra que, em 2023, os agricultores produziram menos sacas de soja utilizando a mesma quantidade de insumos químicos do que em 1993. Enquanto há 30 anos 1 kg de agrotóxicos rendia 23 sacas de soja, hoje gera apenas sete. A mesma queda é observada no uso de fertilizantes: em 1993, 1 tonelada resultava em 517 sacas, número que caiu para 333 em 2023. Isso comprova a ineficiência do modelo baseado em alto consumo de químicos.

A dependência de sementes transgênicas também aumentou. Hoje, 93% da soja brasileira é geneticamente modificada, mas, ao contrário do prometido, isso não reduziu o uso de agrotóxicos. Nos últimos 20 anos, o consumo desses produtos cresceu 660%, enquanto a produção de grãos aumentou 256%. Como resultado, o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de fertilizantes e agrotóxicos, apresentando o pior desempenho entre os grandes produtores no uso eficiente por hectare.

Além do impacto ambiental, o custo econômico é outro desafio. Entre 2013 e 2023, os gastos com insumos químicos passaram de 68% para 87% do custo de produção da soja. Nesse mesmo período, enquanto o preço do herbicida glifosato aumentou 99%, a saca de soja subiu apenas 2%. Segundo a produtora rural Marion Kompier, isso reduz a margem de lucro e evidencia a necessidade de novos caminhos para a agricultura.

Para especialistas, a saída está em adotar práticas regenerativas e aproveitar áreas de pastagens degradadas, em vez de expandir a fronteira agrícola. Essa transição, porém, exige mais pesquisas, apoio das instituições de ensino e incentivo ao produtor para que o Brasil continue relevante no mercado global, mas sem comprometer seu futuro econômico e ambiental.

Fonte: Correio Braziliense

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