IA pode reduzir até US$ 70 bi anuais em prejuízos causados por desastres naturai

Relatório aponta que soluções digitais tornam infraestrutura mais resiliente a eventos extremos

Por Dominic Ferreira,


A inteligência artificial tem ganhado protagonismo no enfrentamento de eventos climáticos extremos. Segundo o relatório IA para a Resiliência da Infraestrutura, a tecnologia pode reduzir em até 15% as perdas previstas, hoje na casa de US$ 460 bilhões ao ano, diante de enchentes, tempestades e secas que pressionam sistemas envelhecidos e operando no limite. Para a Deloitte, integrar IA desde o planejamento até a recuperação pode transformar a forma como governos e empresas enfrentam desastres.

Foto: Gilvan Rocha / Agência BrasilEnchentes no Rio Grande do Sul
Enchentes no Rio Grande do Sul

A modernização é urgente porque redes de energia, transporte e saneamento foram projetadas para condições ambientais que já não existem. A exposição a enchentes, ondas de calor e secas severas já causa interrupções em serviços essenciais e danos a estruturas. Nesse cenário, tecnologias como gêmeos digitais, manutenção preditiva e monitoramento inteligente se tornam decisivas para antecipar falhas e orientar investimentos com maior precisão.

Casos como o da Austrália demonstram o potencial dessas soluções: sistemas de detecção precoce poderiam evitar entre US$ 100 milhões e US$ 300 milhões em prejuízos anuais com incêndios. Em escala global, apenas os danos provocados por tempestades podem ser reduzidos em até US$ 30 bilhões ao ano. A Deloitte ressalta que empresas que adotam IA deixam de agir apenas de forma reativa e passam a usar riscos climáticos como oportunidades de diferenciação e eficiência.

Entretanto, entraves persistem. A falta de padronização regulatória, dificuldades de financiamento e sistemas legados atrasam a expansão das soluções digitais. Além disso, o crescimento acelerado da IA aumenta a demanda por energia e pressiona redes elétricas. Especialistas defendem metas claras de eficiência, uso de fontes renováveis e desenvolvimento de modelos mais sustentáveis. A colaboração global, afirmam, será essencial para transformar tecnologia em resiliência climática.

Fonte: Correio Braziliense

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