Novo salário mínimo deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia em 2026

Reajuste de 6,79% amplia renda e consumo, mas pressiona gastos da Previdência

Por Redação Portal AZ,

O novo salário mínimo de R$ 1.621, previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026, deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia brasileira, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O impacto considera os efeitos sobre renda, consumo e arrecadação, mesmo em um cenário de maior restrição fiscal.

Foto: Marcello Casal Jr / Agência BrasilNovo salário mínimo deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia em 2026
Novo salário mínimo deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia em 2026

De acordo com o Dieese, cerca de 61,9 milhões de pessoas terão rendimentos diretamente influenciados pelo reajuste do piso nacional. O maior grupo é formado por aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que somam 29,3 milhões. Também serão impactados 17,7 milhões de empregados, 10,7 milhões de trabalhadores autônomos, 3,9 milhões de empregados domésticos e aproximadamente 383 mil empregadores.

O novo valor representa um aumento nominal de 6,79% em relação ao salário mínimo atual e segue as regras da política permanente de valorização do piso, retomada em 2023. O reajuste eleva o poder de compra dos trabalhadores de menor renda e tende a estimular o consumo, especialmente em setores como comércio e serviços.

Por outro lado, o Dieese alerta para os efeitos diretos sobre as contas públicas. A estimativa é de que o aumento do salário mínimo gere um acréscimo de R$ 39,1 bilhões nas despesas da Previdência Social em 2026. Segundo o levantamento, cada R$ 1 de aumento no piso representa um custo adicional de R$ 380,5 milhões ao orçamento federal, uma vez que 46% dos gastos previdenciários são impactados diretamente e 70,8% dos beneficiários recebem valores atrelados ao mínimo.

O cálculo do reajuste segue a Lei nº 14.663/2023, que estabelece a correção anual com base na inflação medida pelo INPC e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para 2026, a inflação de 4,18% será considerada integralmente, enquanto o crescimento do PIB, de 3,4%, será limitado a 2,5%, em razão do teto imposto pelo novo arcabouço fiscal.

A combinação desses fatores resultou em um aumento nominal de R$ 103 no salário mínimo. O desafio do governo será conciliar os efeitos positivos sobre a renda da população com o controle das despesas obrigatórias, em um contexto de cumprimento das metas fiscais.

Fonte: Com informações da Agência Brasil

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