Rombo fiscal do governo central chega a quase R$ 84 bilhões até novembro

Déficit de novembro foi de R$ 20,2 bi e acumulado supera meta fiscal de 2025

Por Dominic Ferreira,

As contas do governo central, que reúnem Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registraram déficit primário de R$ 20,2 bilhões em novembro de 2025. Com esse resultado, o rombo fiscal acumulado no ano alcançou R$ 83,8 bilhões, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O desempenho ficou acima da mediana das expectativas do mercado, que projetava resultado negativo de R$ 12,7 bilhões para o mês, segundo a pesquisa Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda.

Foto: Reprodução | Marcelo Camargo | Agência BrasilMinistério da Fazenda
Ministério da Fazenda

Na comparação com novembro de 2024, quando o déficit foi de R$ 4,5 milhões, o resultado negativo cresceu 328,8% em termos reais, já descontada a inflação. O Tesouro aponta que o desempenho reflete principalmente o descompasso entre despesas e receitas: enquanto os gastos do governo central cresceram 4% em novembro, as receitas totais recuaram 2,6% na mesma base de comparação anual.

No acumulado de 2025, o déficit primário é 25,1% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando o saldo negativo somou R$ 67 bilhões. A meta fiscal prevista para este ano é de déficit zero, com margem de tolerância de até 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a um rombo máximo de R$ 31 bilhões. Para cumprir a regra, o governo ainda considera abatimentos extraordinários, como parte dos precatórios e medidas de apoio a exportadores afetados por tarifas internacionais.

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, explicou que o aumento do rombo está relacionado à queda das receitas não administradas, como dividendos e concessões, que recuaram 23,7% e 38,9%, respectivamente, entre janeiro e novembro. Ainda assim, ele destacou crescimento real de 2,9% da receita líquida no acumulado do ano, enquanto as despesas avançaram 3,4%. Nos últimos 12 meses até novembro, o déficit primário soma R$ 57,4 bilhões, o equivalente a 0,47% do PIB.

Fonte: Correio Braziliense

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