Dólar tem maior queda em quase uma década e fecha 2025 em baixa no Brasil
Movimento reflete enfraquecimento global da moeda americana e fatores internos, como juros altos e menor percepção de risco fiscal
O ano de 2025 entrou para a série histórica como um dos períodos de maior enfraquecimento do dólar frente a outras moedas. No Brasil, a divisa norte-americana acumulou queda de 10,29% até o penúltimo pregão do ano, o recuo mais expressivo desde 2016, quando a desvalorização chegou a 17,8%.
O movimento não foi exclusivo do mercado brasileiro. Ao longo do ano, o dólar perdeu força diante de moedas de países emergentes e também frente a divisas consideradas fortes, como o euro, o franco suíço, o iene japonês e a libra esterlina, indicando um fenômeno de alcance global.
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Especialistas apontam que a combinação entre decisões políticas nos Estados Unidos, mudanças na expectativa sobre juros americanos e maior apetite por risco em mercados emergentes explica a trajetória da moeda em 2025.
Política econômica dos EUA pressiona o dólar
Parte relevante da desvalorização está associada às ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo de seu primeiro ano de mandato. Após a eleição, o mercado financeiro esperava uma adoção imediata de medidas mais duras, como ampliação de tarifas e cortes agressivos de impostos, o que acabou sendo postergado.
A postura inicial mais cautelosa do governo norte-americano reduziu a atratividade do dólar, que começou o ano em patamar elevado e perdeu força ao longo do primeiro trimestre. Mesmo o anúncio de tarifas comerciais em abril provocou apenas uma valorização pontual da moeda, sem sustentar uma tendência de alta.
O aumento da incerteza sobre os rumos da economia americana levou investidores a rever posições e ampliar estratégias de proteção cambial, o que intensificou a pressão vendedora sobre o dólar no mercado global.
Juros nos Estados Unidos e busca por retorno
Outro fator determinante foi a mudança na expectativa em relação à política monetária do Federal Reserve (Fed). Embora o mercado tenha iniciado o ano projetando cortes mais rápidos e profundos nos juros, o banco central americano adotou uma postura gradual.
As reduções começaram apenas no segundo semestre e, até dezembro, a taxa básica foi cortada três vezes, atingindo o menor nível desde 2022. Com rendimentos menores nos títulos do Tesouro americano, investidores passaram a buscar alternativas em países que oferecem juros mais elevados, beneficiando moedas de economias emergentes.
Real se fortalece com juros altos e menor aversão ao risco
No Brasil, fatores domésticos ajudaram a reforçar a valorização do real. A taxa básica de juros permaneceu em patamar elevado ao longo de 2025, tornando os ativos brasileiros mais atraentes para o capital estrangeiro.
Além disso, a condução da política monetária pelo Banco Central, sob a presidência de Gabriel Galípolo, contribuiu para reduzir parte das incertezas do mercado. A percepção de compromisso com o controle da inflação ajudou a conter expectativas negativas e favoreceu a entrada de recursos no país.
Embora as contas públicas continuem no radar dos investidores, indicadores fiscais divulgados ao longo do ano apontaram melhora nas projeções de arrecadação e maior estabilidade nas estimativas de despesas, o que reduziu a percepção de risco em relação à economia brasileira.
O que esperar para 2026
Analistas avaliam que o comportamento do câmbio em 2026 seguirá condicionado a fatores externos e internos. No cenário internacional, o ritmo da economia americana, novas decisões do Fed e a escolha do próximo presidente da instituição devem manter o mercado em alerta.
No Brasil, a aproximação do ciclo eleitoral tende a elevar a volatilidade. Investidores devem acompanhar de perto o compromisso dos candidatos com a estabilidade fiscal e a condução da política econômica nos próximos anos.
A expectativa é de que, até o primeiro trimestre, o foco permaneça nos juros americanos. A partir daí, o cenário político e fiscal brasileiro deve ganhar protagonismo na definição do rumo do dólar frente ao real.
Fonte: Com informações do G1