Empresas iniciam 2026 sob pressão para se adaptar à reforma tributária
Mudanças nas notas fiscais marcam fase de testes dos novos impostos e exigem ajustes em sistemas e rotinas internas
O início de 2026 traz para as empresas brasileiras o primeiro contato prático com a reforma tributária. A principal novidade, neste momento, é a alteração no modelo das notas fiscais, que passam a exibir, de forma experimental, os novos tributos criados pelo novo sistema: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
A partir deste ano, as duas siglas começam a aparecer nas notas fiscais de produtos e serviços, ainda sem cobrança efetiva. A medida faz parte de uma fase de testes prevista para 2026 e antecede a implementação definitiva do novo modelo, que substituirá gradualmente cinco tributos atuais: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.
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A CBS será de competência federal, enquanto o IBS reunirá impostos estaduais e municipais. Durante todo o ano de 2026, os valores destacados terão caráter apenas informativo. Segundo a Receita Federal, até o início da tarde da última sexta-feira (2), cerca de 1,7 milhão de notas fiscais já haviam sido emitidas com o novo padrão.
A mudança exige adaptação dos sistemas de emissão de documentos fiscais e revisão de processos internos. De acordo com o auditor fiscal e subsecretário de Gestão Corporativa da Receita Federal, Juliano Neves, o período de transição foi desenhado para dar tempo às empresas se ajustarem gradualmente às novas exigências. A expectativa do governo é reduzir riscos operacionais e falhas no momento em que a cobrança passar a valer.
A inclusão da CBS e do IBS nas notas fiscais também permitirá alimentar uma nova plataforma nacional de gestão tributária, prevista para ser lançada em 12 de janeiro. O sistema é considerado peça-chave da reforma, pois permitirá a compensação de créditos ao longo da cadeia produtiva, enfrentando uma das principais críticas ao modelo atual: a cumulatividade dos impostos.
Para as empresas optantes pelo Simples Nacional, as mudanças não entram em vigor neste momento. Esse grupo só deverá destacar os novos tributos nas notas fiscais a partir de 2027. Já as demais empresas precisam iniciar desde já a atualização de softwares, além de capacitar equipes das áreas fiscal, contábil e de faturamento.
Apesar da movimentação, a obrigatoriedade plena ainda depende da conclusão da regulamentação da reforma tributária. Após a publicação das normas finais, o setor produtivo terá um prazo estimado de cerca de três meses para adequação completa aos sistemas oficiais.
Especialistas avaliam que 2026 será um período de aprendizado. Para o tributarista Gabriel Quintanilha, professor de Direito Tributário da Fundação Getulio Vargas (FGV), o ano funcionará como um ensaio geral antes da entrada em vigor das novas regras. Segundo ele, a fase de testes será decisiva para que as empresas cheguem a 2027 preparadas para a primeira etapa efetiva da reforma.
Considerada a maior reestruturação do sistema tributário brasileiro desde a Constituição de 1988, a reforma inaugura um processo de transformação que deve impactar profundamente a rotina das empresas, a arrecadação dos entes federativos e a forma como consumidores passam a visualizar os impostos embutidos nos preços.
Fonte: Com informações do G1