Safra maior de café no Brasil e Vietnã amplia oferta, mas preços seguem firmes
Clima instável, estoques globais baixos e consumo consistente limitam queda das cotações
O mercado mundial de café acompanha com atenção a safra brasileira de 2026, que pode aliviar o aperto na oferta global após três anos de frustrações provocadas por geadas e estiagens. Segundo o Cepea/Esalq-USP, as condições climáticas atuais nas principais regiões produtoras do Brasil são consideradas quase normais, com chuvas recentes trazendo otimismo aos cafeicultores e potencial para recuperação da produção.
Especialistas alertam, porém, que o comportamento do clima seguirá decisivo nos próximos meses. Até janeiro, as chuvas são fundamentais para o desenvolvimento inicial dos grãos, enquanto a regularidade hídrica até abril será crucial para o enchimento e a qualidade da safra. Analistas do BTG Pactual destacam que, apesar do cenário mais favorável, ainda há incertezas capazes de gerar volatilidade nos preços internacionais.
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As dificuldades não se restringem ao Brasil. Países da Ásia, África e América Central também enfrentam problemas climáticos que afetam a produção. No Vietnã, segundo maior produtor mundial, tufões e tempestades recentes ameaçam a colheita, embora a estimativa ainda aponte cerca de 30 milhões de sacas. Juntos, Brasil e Vietnã respondem por mais da metade do café produzido no mundo.
Mesmo com expectativa de aumento da oferta, fatores como estoques globais historicamente baixos e consumo consistente devem impedir uma queda acentuada das cotações. Na Bolsa de Nova York, os estoques de café atingiram níveis mínimos, enquanto novos mercados, como a China, ampliam a demanda. Diante desse cenário, analistas projetam estabilidade ou recuo limitado dos preços no curto prazo, salvo ocorrência de novos eventos climáticos extremos.
Fonte: Correio Braziliense