União Europeia dá aval final a acordo de livre comércio com o Mercosul
Tratado negociado há 25 anos pode ser assinado na segunda (12) e reduzir tarifas do agro
A União Europeia deu nesta sexta-feira (9) o aval político para concluir o acordo de livre comércio com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura oficial do tratado na próxima segunda-feira (12), no Paraguai, após mais de duas décadas de negociações.
A sinalização positiva dos países do bloco europeu autoriza a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a formalizar o acordo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A etapa seguinte será a análise e votação do texto nos parlamentos nacionais e no Parlamento Europeu, processo que, segundo o deputado alemão Bernd Lange, deve ocorrer entre abril e maio.
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O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e ganha peso estratégico em um momento de tensão no comércio internacional. Para o Brasil, o acordo chega após a retração das exportações para os Estados Unidos em 2025, afetadas pelo tarifaço do presidente Donald Trump, e em meio a restrições recentes impostas por grandes compradores como China e México.
Dentro da União Europeia, o pacto enfrentou resistência de países com forte setor agrícola, como França e Polônia, que temem concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. Nesta sexta, França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra, mas foram derrotados pela maioria de 21 países favoráveis; a Bélgica se absteve.
O agro brasileiro aparece como um dos principais beneficiados. O acordo prevê a eliminação de tarifas para 77% dos produtos agropecuários vendidos pelo Mercosul ao bloco europeu, em prazos que variam de quatro a dez anos. Café, frutas, pescados, óleos vegetais e derivados devem ganhar competitividade no mercado europeu.
As carnes, ponto mais sensível das negociações, ficarão sujeitas a cotas. No caso da carne bovina, o Mercosul poderá exportar até 99 mil toneladas por ano com tarifa reduzida, substituindo tributos hoje considerados elevados pelo setor. Para o frango, a cota conjunta será de 180 mil toneladas anuais com tarifa zero, ampliando gradualmente o acesso ao mercado europeu.
Já o café solúvel, hoje taxado em 9% na UE, terá tarifa zerada em até quatro anos, o que pode aumentar a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes como o Vietnã. A soja, principal item do agro nacional vendido à Europa, não será impactada, pois já entra no bloco sem imposto de importação.
Do lado europeu, o acordo também abre espaço para maior exportação de automóveis, máquinas, produtos químicos, queijos e vinhos para o Mercosul, além de reduzir a dependência do bloco em relação à China na área de minerais. Se aprovado pelos parlamentos, o tratado deve redefinir as relações comerciais entre as duas regiões e fortalecer o Mercosul como parceiro estratégico da União Europeia.
Fonte: Com informações do G1