Baterias ganham força e podem reduzir perdas de energia no Brasil
Experiência chilena amplia debate sobre armazenamento e transição energética
O avanço das fontes renováveis trouxe novos desafios para o setor elétrico mundial e colocou o armazenamento de energia no centro das discussões sobre transição energética. Nesse cenário, a entrada em operação de um sistema de baterias integrado a um parque eólico no Chile passou a ser observada como referência para o Brasil, especialmente diante do aumento dos cortes obrigatórios na geração eólica e solar registrados nos últimos anos. A iniciativa foi desenvolvida pela EDP e representa o primeiro projeto da companhia com armazenamento por baterias em operação na América do Sul.
Instalado junto ao Parque Eólico Punta de Talca, na região de Ovalle, no norte chileno, o sistema recebeu investimento de US$ 44 milhões e possui capacidade de armazenamento de 240 MWh. O objetivo é enfrentar o chamado curtailment, situação em que parte da energia renovável gerada deixa de ser utilizada por limitações de demanda, transmissão ou operação da rede elétrica. A solução consiste em armazenar o excedente produzido em períodos de menor consumo para redistribuí-lo quando houver maior necessidade energética.
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A experiência chilena ganha relevância em um momento em que o Brasil enfrenta desafios semelhantes. O crescimento acelerado da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, ampliou a ocorrência de desperdício energético provocado por limitações na infraestrutura de transmissão. Dados do relatório Curtailment 2025: retrospectiva e projeção, da Volt Robotics, apontam que cerca de 20,6% da energia renovável disponível no país deixou de ser aproveitada em 2025, gerando perdas financeiras superiores a R$ 6 bilhões.
Para especialistas do setor, ampliar linhas de transmissão continuará sendo necessário, mas o armazenamento tende a assumir papel estratégico para garantir flexibilidade e estabilidade ao sistema elétrico. O lançamento do primeiro leilão de baterias no Brasil foi recebido como um passo importante para acelerar essa transformação.
Fonte: Correio Braziliense