Jovens enfrentam dilema entre sonho e pressão familiar na escolha profissional

Às vésperas do Enem, estudantes lidam com expectativas da família e incertezas do futuro

Por Dominic Ferreira,

Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), jovens vivem o desafio de escolher uma profissão que una vocação, estabilidade e aceitação familiar. A decisão, tomada ainda na adolescência, é permeada por dúvidas e pressões que podem influenciar diretamente o futuro profissional. Especialistas apontam que o apoio familiar é essencial nesse processo, mas alertam que o excesso de cobrança pode gerar ansiedade e insegurança nos estudantes.

Foto: Reprodução | DivulgaçãoOK

A psicóloga Melissa Fecury, do curso de Psicologia da Wyden, destaca que o ambiente familiar molda as percepções sobre sucesso e realização.“É dentro de casa que o jovem começa a formar suas percepções sobre o que é ‘ter sucesso’, ‘ter estabilidade’ e ‘ser alguém na vida’. Comentários, expectativas e exemplos dos pais acabam moldando, mesmo que de forma inconsciente, o que ele considera uma boa profissão”, explica. Segundo ela, quando a cobrança é excessiva, podem surgir sintomas de ansiedade e até bloqueios emocionais relacionados ao tema.

Esse cenário é vivido por famílias como a da publicitária Lorena Bastos, mãe de Maria Luísa, que se prepara para o vestibular.  “Ela quer ser publicitária também, mas ainda avalia opções como jornalismo e design. Quero que ela explore possibilidades, construa um portfólio e descubra em qual área se identifica mais.”, afirma. Para Melissa, decisões tomadas apenas para agradar os pais podem levar à frustração e à falta de propósito, reforçando que o equilíbrio emocional é parte essencial da realização profissional.

Mesmo com maior acesso à informação, muitos jovens ainda priorizam a empregabilidade na escolha do curso. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva e do CIEE, 59% dos universitários levam em conta as chances no mercado de trabalho, enquanto 24% dos brasileiros entre 18 e 24 anos não estudam nem trabalham, segundo a OCDE. Para a psicóloga, o diálogo entre pais e filhos é o caminho mais saudável: “A influência familiar é positiva quando há escuta, diálogo e liberdade. Mas quando o jovem sente que precisa atender a expectativas alheias, a escolha deixa de ser autêntica", finaliza.

Fonte: Ícone Comunicação

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