Pesquisa revela compra de votos por políticos locais
Estudo aponta que 22% dos brasileiros já receberam oferta
Um levantamento realizado pelo Ipsos-Ipec, em parceria com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), revelou que 22% dos brasileiros já receberam propostas para vender seus votos durante eleições. A pesquisa, parte da campanha “Voto não tem preço, tem consequências”, destaca a dificuldade dos cidadãos em denunciar tais práticas.
De acordo com os dados, 62% dos entrevistados não se sentem seguros o suficiente para denunciar os casos de compra de votos, e muitos desconhecem os canais apropriados para fazê-lo. A prática é considerada crime e pode ser denunciada através do aplicativo Pardal, além de delegacias e ouvidorias.
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Chico Whitaker, cofundador do MCCE, observa que a compra de votos é mais comum em cidades menores, onde a dependência de empregos públicos é maior e o dinheiro tem um impacto mais significativo no cotidiano das pessoas. No entanto, em cidades maiores, cestas básicas são frequentemente utilizadas como moeda de troca.
A pesquisa também revelou que vereadores são os que mais frequentemente realizam ofertas a eleitores, representando 59% dos relatos de coação, seguidos por prefeitos, com 43%. No Nordeste, a prática é ainda mais acentuada, atingindo 32% dos entrevistados, em contraste com os 18% registrados no Sudeste.
A socióloga Adelia Franceschini, consultora do estudo, alerta que muitas formas de compra de votos, como a oferta de consultas médicas ou festas, não são reconhecidas como ilegais por parte da população, que frequentemente as vê como pequenos favores.
A pesquisa foi conduzida entre 4 e 8 de dezembro do último ano, com 2000 entrevistas em 131 municípios, e possui um nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais.