Expansão do mercado elétrico nordestino abre espaço para consultorias que nascer

Consultoria nordestina se destaca na transformação do setor elétrico

Por Redação Portal AZ,

O setor elétrico brasileiro sempre teve seu centro de gravidade no Sul e no Sudeste. As grandes consultorias, os escritórios especializados e os engenheiros com expertise regulatória gravitavam em torno do eixo que concentra a maior parte do consumo industrial do país. Para o Nordeste, restava importar esse conhecimento, quando era possível pagar por ele. Esse equilíbrio começa a mudar.

Foto: ReproduçãoLuiz Felipe (à esquerda, sócio-fundador, engenheiro eletricista) e Herbert (à direita, sócio-fundador, engenheiro eletricista), sentados. Em pé: Raphael Felipe (à esquerda, diretor de riscos, advogado), Maria Clara (centro, diretora jurídica, advogada) e Khalil Belo (à direita, diretor de operações, engenheiro eletricista).
Luiz Felipe (à esquerda, sócio-fundador, engenheiro eletricista) e Herbert (à direita, sócio-fundador, engenheiro eletricista), sentados. Em pé: Raphael Felipe (à esquerda, diretor de riscos, advogado), Maria Clara (centro, diretora jurídica, advogada) e Khalil Belo (à direita, diretor de operações, engenheiro eletricista).

A expansão do Mercado Livre de Energia, a chegada da geração distribuída ao interior e a pressão crescente por eficiência energética em prefeituras e empresas de médio porte estão criando uma demanda que empresas de fora da região demoram a atender. É nesse espaço que consultorias nordestinas encontraram sua oportunidade — e algumas já têm números para mostrar.

É o caso da Luminous Soluções em Energia, fundada em Teresina em 2018 por engenheiros da Universidade Federal do Piauí. São sete anos de operação, mais de mil clientes atendidos, presença em 80 municípios e R$ 23 milhões em economia gerada e documentada ao longo desse período, somando projetos de energia solar, consultoria e assessoria.

Em 2024, a empresa tornou-se a primeira do Piauí a receber a certificação da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), habilitação que permite operar no Mercado Livre de Energia, no qual consumidores negociam energia diretamente com fornecedores, sem a intermediação obrigatória das distribuidoras regionais.

A Luminous não nasceu com essa atuação. Em 2018, o foco era em projetos de engenharia elétrica e energia solar. Luiz Felipe e Herbert, ambos engenheiros eletricistas e sócios-fundadores, foram os primeiros a apostar na ideia.

Com o crescimento, a empresa percebeu que o problema dos clientes ia além da infraestrutura e passou a atuar também na gestão do que já estava instalado e sendo cobrado. Foi nesse movimento que a operação se ampliou.

Khalil, terceiro engenheiro da casa, assumiu a diretoria de operações. Com conhecimento técnico aprofundado do setor e da regulação elétrica, ele atua tanto na execução dos projetos quanto na consultoria e assessoria aos clientes — papel que, na prática, aproxima a engenharia da estratégia regulatória que diferencia a empresa.

Dois advogados especializados em energia também integraram a liderança: Maria Clara, na diretoria jurídica, e Raphael, na diretoria de riscos, com foco na segurança jurídica das migrações para o Mercado Livre e na recuperação de valores pagos indevidamente.

Grande parte da economia gerada para os clientes não vem de grandes obras, mas da identificação de erros que já existiam nas faturas, muitas vezes invisíveis por falta de conhecimento técnico.

Em dois casos junto ao poder público, o impacto foi imediato. Em um município, após auditoria de faturas e reestruturação de contratos, o custo mensal caiu de R$ 13.500 para R$ 6.500, uma redução superior a 50%, sem nenhuma obra realizada. Em outro, com uma atuação mais ampla, os gastos mensais recuaram de R$ 32.000 para R$ 25.000.

“A maioria das empresas e prefeituras paga mais do que deveria na conta de energia e nem sabe disso”, diz Luiz Felipe. “A gente analisa o perfil de consumo do cliente, identifica onde está o desperdício, onde existe cobrança indevida e onde há uma oportunidade regulatória sendo desperdiçada, e apresenta um plano concreto. Não vendemos produto, vendemos estratégia.”

Para Raphael, diretor de riscos, o problema é estrutural. “O consumidor de energia, seja uma empresa ou uma prefeitura, frequentemente não conhece os direitos que tem nesse setor. Contratos mal estruturados, tarifas inadequadas ao perfil de consumo e valores pagos indevidamente por anos representam dinheiro que pode ser recuperado.”

O portfólio da empresa hoje vai de projetos de infraestrutura elétrica, subestações e instalação de carregadores para veículos elétricos até auditoria de faturas, gestão tarifária e representação de consumidores perante distribuidoras e órgãos reguladores.

Para usinas solares instaladas, a empresa mantém o Clube Luminous — programa de monitoramento e manutenção preventiva capaz de ampliar em até 25% a eficiência de geração dos sistemas sob sua atuação.

O Mercado Livre de Energia, a geração distribuída e a eletrificação dos transportes estão redesenhando o setor elétrico brasileiro — e o Nordeste está no centro dessa transformação, não mais na periferia. Para empresas e municípios que ainda pagam mais do que deveriam, a lição que emerge dessa trajetória é direta: o conhecimento para resolver esse problema já existe na região. Faltava quem o colocasse a serviço de quem mais precisa.

Fonte: Portal AZ

Comente

Pequisar