Escritor moçambicano Ernesto Moamba fala sobre literatura africana
Autor concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Márcio Felipe Rocha
O escritor moçambicano Ernesto Moamba, conhecido como “Filho da África”, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Márcio Felipe Rocha para tratar de literatura africana contemporânea, identidade cultural, circulação internacional de obras e fortalecimento da lusofonia.
Poeta, escritor e produtor cultural, Ernesto Moamba nasceu em 04 de agosto de 1994, em Maputo, Moçambique. Sua produção literária é marcada pela abordagem da dor social, memória coletiva e pela construção de uma escrita voltada à denúncia e à valorização das identidades africanas.
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Ao longo da trajetória, consolidou presença internacional com obras publicadas em África, Europa e Américas, tornando-se uma das vozes da literatura moçambicana contemporânea em circulação global.
Entre suas principais obras está Liberta-te, Mãe África, livro de estreia que ganhou ampla repercussão internacional e foi traduzido para inglês, espanhol e italiano, com publicações nos Estados Unidos, Colômbia e Itália. A obra é considerada um marco na sua produção poética por tratar de identidade, resistência e realidade social africana.
Na literatura infantojuvenil, destaca-se com títulos como O Abecedário que Finge ser Mudo, Jendai, O Coelho e o Crocodilo às Margens do Rio, A Casa dos Móveis que Falavam e A Rainha e os Sábios do Campo, obras voltadas à formação de leitores e à valorização da cultura africana desde a infância.
Ernesto Moamba acumula um conjunto expressivo de premiações e reconhecimentos internacionais. Entre eles, o Global Poet 2022 – World Poetry Anthem, concedido no Texas, Estados Unidos, pela World Poetic Meetings, um dos reconhecimentos mais relevantes de sua carreira.
Foi também agraciado com o Prêmio Baronesa de Excelência Cultural, na categoria Destaque Literário e Cultural Internacional, no Brasil, destacando sua contribuição para a literatura em língua portuguesa.
Em 2016, conquistou o 3º lugar no Prêmio Internacional de Poesia Buriti, com a obra Liberta-te, Mãe África, reforçando sua projeção inicial no cenário literário lusófono.
No ano seguinte, em 2017, recebeu o 3º lugar no IV Concurso Internacional de Prosa – Prêmio Machado de Assis, promovido pela Confraria Cultural Brasil–Portugal, ampliando sua visibilidade em concursos internacionais.
Também foi finalista do Prêmio Segundo Varal Literário da Câmara Municipal de Divinópolis de Letras, onde alcançou o 1º lugar no gênero poesia internacional, consolidando reconhecimento crítico em território brasileiro.
Além disso, em 2022, encerrou o ano como finalista do Prêmio Literário FLAL Miscelânia – Concurso de Textos Anônimos, conquistando o 1º lugar na categoria poesia com o livro A Denúncia e a Renúncia, publicado no Brasil.
Em sua entrevista, Moamba destacou o momento de renovação da literatura moçambicana e o papel das novas vozes africanas.
“Saudações literárias de Moçambique, independentemente de onde quer que esteja, sinta-se cumprimentado”, declarou.
Segundo o autor, há uma transformação em curso na produção literária do país.
“A literatura moçambicana vive um momento de renovação profunda. Temos jovens vozes misturando as línguas nacionais, o português, a tradição oral com temas urbanos, políticos e íntimos”, afirmou.
Moamba ressaltou que sua atuação busca ampliar o alcance da literatura africana no cenário internacional.
“O meu papel tem sido abrir espaço para essa pluralidade, valorizar autores que escrevem a partir de Moçambique para o mundo sem perder a raiz bantu e usar a escrita como ferramenta de memória e crítica social”, explicou.
O escritor também destacou a construção de pontes culturais entre continentes lusófonos.
“As nossas estéticas, os nossos debates, as nossas contradições, é criar uma ponte entre o leitor do Brasil, de Portugal e de toda a lusofonia com o que se escreve e se pensa no continente africano hoje”, disse.
Ernesto Moamba revelou ainda o desejo de participar do Salão do Livro do Piauí, um dos principais eventos literários do Brasil, como parte do fortalecimento do intercâmbio cultural entre Moçambique e o circuito literário brasileiro.
O autor afirmou que pretende aprofundar o diálogo Sul-Sul entre escritores africanos e latino-americanos, ampliando a circulação de narrativas fora dos grandes centros editoriais.
“O diálogo Sul-Sul seria uma conexão entre escritores de Moçambique, Brasil, Angola e outros países, para mostrar que as nossas histórias falam”, concluiu.
Além da produção literária, Ernesto Moamba também atua como presidente e membro fundador do Círculo Acadêmico de Letras e Artes de Moçambique, com sede em Maputo, além de participar de projetos de integração cultural entre África e Brasil.
Site oficial do Ernesto Moamba: https://ernestomoamba.com
Fonte: Portal AZ