Justiça barra show de R$ 800 mil porque Joãozinho ignorou teto da APPM
A situação política do prefeito de Campo Maior, Joãozinho Félix, ganhou mais um capítulo de desgaste
Depois de participar, por meio do movimento municipalista, da construção de um entendimento que limitou em R$ 350 mil os cachês artísticos pagos por prefeituras piauienses, a gestão municipal de Campo Maior acabou no centro de uma polêmica justamente por tentar contratar um show de Nathan no valor de R$ 800 mil.
A Associação Piauiense de Municípios (APPM) aprovou, por unanimidade, o teto de R$ 350 mil para contratação de artistas, alegando necessidade de responsabilidade fiscal, transparência e preservação das finanças municipais. O próprio movimento municipalista sustentou que os gastos com shows estavam “desordenados” e vinham gerando questionamentos dos órgãos de controle.
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Mas, pelo visto, em Campo Maior o discurso vale apenas para os outros.
A tentativa de contratação do cantor Nattan por R$ 800 mil — mais que o dobro do limite defendido pelos próprios prefeitos — acabou barrada pela Justiça do Piauí. A decisão judicial suspendeu o contrato firmado pela prefeitura campomaiorense, impedindo a realização do gasto milionário.
Nos bastidores políticos, o episódio ampliou ainda mais o ambiente de desgaste enfrentado pelo prefeito Joãozinho Félix, que já vinha acumulando críticas e turbulências políticas. E o timing não poderia ter sido pior.
Na data de ontem, durante evento político, uma fala do governador Rafael Fonteles foi interpretada por muitos como uma indireta clara ao grupo campomaiorense. Ao afirmar que “político tem que honrar a palavra”, o governador acabou alimentando rumores de desconfiança e receio de traições políticas dentro da própria base aliada.
Agora, Joãozinho vê mais uma crise bater à porta: além das especulações políticas e do clima de desconfiança nos bastidores, surge também o constrangimento público de ter sido freado pela Justiça justamente ao tentar ignorar uma regra construída pelos próprios prefeitos do estado.
A ironia política é inevitável: enquanto a APPM discursava sobre equilíbrio fiscal e responsabilidade com dinheiro público, uma de suas próprias lideranças municipais tentava ultrapassar o teto acordado em mais de 128%.
E a Justiça resolveu lembrar que norma criada para inglês ver continua sendo norma.
Fonte: Portal AZ