Atlas aponta 7 mil homicídios a mais que registros oficiais no Brasil
Mortes sem causa definida crescem e podem esconder avanço da violência letal
Embora o Brasil tenha registrado em 2024 a menor taxa oficial de homicídios dos últimos 11 anos, dados divulgados pelo Atlas da Violência 2026 acenderam um alerta sobre a real dimensão da violência no país. O levantamento aponta que o número de assassinatos pode ser significativamente maior do que o contabilizado pelas estatísticas oficiais, devido ao crescimento expressivo dos chamados “homicídios ocultos”, mortes violentas que permanecem sem classificação definitiva nos sistemas de registro.
De acordo com o estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), cerca de 7.083 mortes podem ter sido homicídios não reconhecidos oficialmente em 2024. O volume representa um aumento de 88% em relação ao ano anterior e está relacionado às chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), categoria utilizada quando não é possível definir se o óbito ocorreu em decorrência de homicídio, suicídio ou acidente.
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Os pesquisadores explicam que a principal dificuldade está na falta de integração entre informações da saúde, perícia e órgãos de segurança pública. Em muitos casos, apenas a análise do corpo não é suficiente para esclarecer as circunstâncias da morte, fazendo com que registros permaneçam sem conclusão. Para estimar os homicídios ocultos, o Atlas utiliza modelos estatísticos e inteligência artificial, analisando fatores como idade, sexo, local da ocorrência, meio utilizado e perfil da vítima.
Quando esses casos são incorporados aos cálculos, o número de homicídios no Brasil sobe de 42.590 para 49.673 em 2024, elevando a taxa nacional de 20,1 para 23,4 mortes por 100 mil habitantes. O levantamento também aponta crescimento acentuado dos registros de causas indeterminadas em diversos estados, levantando preocupações sobre a qualidade dos dados e indicando que parte da redução observada nos índices oficiais pode estar ligada a falhas na classificação das mortes violentas.
Fonte: Infomoney