Brasil registra 150 mil casos de violência contra população de rua em dez anos

Estudo aponta subnotificação e crescimento das agressões em diversas regiões do país

Por Dominic Ferreira,

A violência contra pessoas em situação de rua continua sendo um dos principais desafios sociais do país. Um estudo divulgado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revelou que o Brasil registrou cerca de 150 mil episódios de violência contra esse público entre 2014 e 2023. Os pesquisadores alertam, no entanto, que os números oficiais representam apenas parte da realidade, já que grande parcela das vítimas não procura atendimento ou não denuncia as agressões sofridas.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasilok

De acordo com a pesquisa, aproximadamente 70% das pessoas em situação de rua não buscam ajuda após sofrer algum tipo de violência, seja por medo, desconfiança das instituições ou dificuldades de acesso aos serviços públicos. O levantamento também mostrou que, em média, ao menos 120 casos graves são reportados diariamente ao sistema de saúde. Em muitos deles, as vítimas necessitam de atendimento médico urgente, e parte das ocorrências resulta em traumas severos ou morte.

O perfil das vítimas revela que homens jovens, negros e pardos são os mais afetados. Segundo o estudo, pretos e pardos correspondem a 78% dos registros, enquanto pessoas entre 15 e 49 anos concentram a maior parte das notificações. A violência física aparece como a forma mais recorrente de agressão, seguida por violência psicológica, negligência, abandono e violência sexual. Os dados também indicam que mulheres e pessoas trans enfrentam maior risco de sofrer agressões com consequências mais graves.

Os pesquisadores apontam que o problema está relacionado à exclusão social, à fragilidade das políticas públicas e à insuficiência de redes de proteção voltadas à população em situação de rua. Diante do aumento contínuo das ocorrências nos últimos anos, especialistas defendem a ampliação de políticas de moradia, trabalho, educação e assistência social, além do fortalecimento das ações de acolhimento e garantia de direitos. O objetivo é interromper o ciclo de vulnerabilidade e violência que afeta milhares de brasileiros em todas as regiões do país.

Fonte: Agência Brasil

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